FABRICIANO – O mês de março é marcado pela campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose — uma doença ginecológica crônica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva e que, muitas vezes, ainda demora anos para ser diagnosticada. A Unimed Vale do Aço conta com uma rede de médicos especialistas em ginecologia, preparados para orientar, investigar e acompanhar mulheres que apresentam sintomas ou suspeita de endometriose.
De acordo com a médica cooperada da Unimed Vale do Aço e ginecologista, Dra. Cristiane Spindola, a endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio — camada que reveste internamente o útero — cresce fora do seu local habitual. “A endometriose é uma doença inflamatória crônica da pelve em que há crescimento de tecido semelhante ao endométrio em locais como ovários, ligamentos do útero, bexiga e intestino”, explica a médica.
FATORES GENÉTICOS
Embora ainda não exista um consenso absoluto sobre a causa da doença, a teoria mais aceita indica que ela esteja relacionada a fatores genéticos, hormonais e imunológicos. Uma das hipóteses mais discutidas é a chamada menstruação retrógrada, quando o fluxo menstrual retorna pelas trompas e se implanta fora do útero.
“Quando a mulher menstrua, esse tecido fora do útero também sangra. Como esse sangue fica aprisionado na pelve, ocorre aumento do processo inflamatório e formação de aderências”, acrescenta a ginecologista.
SINTOMAS
Os sintomas da endometriose podem variar bastante e nem sempre estão relacionados à gravidade da doença. Em alguns casos, a mulher pode até mesmo não apresentar sintomas e descobrir a condição apenas ao investigar dificuldades para engravidar.
Entre os sinais mais comuns estão cólicas menstruais intensas; dor durante a relação sexual; dor ou alteração intestinal durante o período menstrual; infertilidade; dor pélvica crônica; sangue na urina durante a menstruação; cansaço intenso causado pelo processo inflamatório.
ANORMALIDADE
A médica reforça que a dor menstrual incapacitante não deve ser considerada normal. “Não é normal ter cólicas menstruais intensas que não melhoram com medicação ou que levam a mulher a faltar ao trabalho ou às atividades escolares. Qualquer dor persistente ou que prejudique a qualidade de vida deve ser avaliada por um ginecologista”, alerta Dra. Cristiane Spindola.
DEMORA NO DIAGNÓSTICO
Estima-se que cerca de 10% das mulheres tenham endometriose. Mesmo assim, o diagnóstico ainda costuma levar anos para acontecer. Segundo a especialista, em média, ele ocorre até 10 anos após o início dos sintomas.
“Provavelmente essa demora acontece pela banalização da dor menstrual e também pela dificuldade de acesso a exames específicos”, explica.
Entre os exames utilizados para investigação estão a ressonância magnética de pelve; a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal; videolaparoscopia, considerada o exame mais específico, que permite diagnosticar e tratar a doença durante o procedimento cirúrgico.
ENDOMETRIOSE E FERTILIDADE
A endometriose também pode impactar diretamente a fertilidade feminina. Estima-se que 30% a 50% das mulheres com a doença tenham dificuldade para engravidar. Isso pode acontecer por diversos fatores, como aderências nas trompas, alterações hormonais, inflamação pélvica e dificuldades na implantação do embrião.
O tratamento depende do grau da doença e do desejo reprodutivo da paciente. Entre as opções estão cirurgia por videolaparoscopia para remoção das lesões; inseminação intrauterina, em casos mais leves; fertilização in vitro em situações mais complexas; congelamento de óvulos quando há redução da reserva ovariana.
TRATAMENTO E QUALIDADE DE VIDA
Quando a mulher não deseja engravidar, uma das principais estratégias de tratamento é suspender a menstruação, evitando que o processo inflamatório continue avançando. Isso pode ser feito com diferentes métodos hormonais, como anticoncepcionais contínuos, DIU hormonal, anel vaginal, adesivos, implantes hormonais ou medicamentos à base de progesterona.
Além do tratamento medicamentoso, mudanças no estilo de vida também contribuem para o controle da doença. “Por ser uma doença inflamatória, é importante adotar uma dieta anti-inflamatória, reduzir o consumo de açúcar, carboidratos e alimentos industrializados, além de evitar o álcool. A prática regular de exercícios físicos também ajuda muito no controle dos sintomas”, orienta a ginecologista.
Nos casos em que a dor persiste mesmo com tratamento clínico, pode ser necessária a realização de cirurgia para retirada dos focos da doença. A conscientização é um dos principais passos para o diagnóstico precoce. Por isso, durante o Março Amarelo, o alerta é claro: dor intensa não deve ser considerada normal e buscar orientação médica pode fazer toda a diferença na saúde e na qualidade de vida da mulher.



