sexta-feira, janeiro 16, 2026
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Janeiro Branco alerta para a saúde mental em época de ansiedade e cobranças

IPATINGA – O início do ano costuma trazer uma mistura intensa de expectativas, cobranças e sentimentos contraditórios. Enquanto muitos enxergam janeiro como um período de recomeços e novas oportunidades, para outras pessoas ele se torna um momento sensível para a saúde mental. A pressão por mudanças imediatas, o peso das metas não alcançadas no ano anterior e as comparações constantes acabam abrindo espaço para a ansiedade, a frustração e a sobrecarga emocional. É nesse cenário que a campanha Janeiro Branco ganha ainda mais relevância ao propor uma reflexão necessária sobre o cuidado com a mente.

GRANDES MUDANÇAS

Segundo o médico psiquiatra da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dr. Arthur Lobato, existe uma cobrança cultural muito forte para que o ano comece com grandes transformações. “Essa expectativa gera uma ansiedade considerada natural, mas que pode se intensificar e provocar sofrimento logo nos primeiros meses. A sensação de não estar correspondendo ao que se espera, seja do ponto de vista pessoal ou social, impacta diretamente o bem-estar emocional e pode comprometer a qualidade de vida”, explica.

HORMÔNIOS

Os reflexos desse desgaste emocional não ficam restritos ao campo psicológico. De acordo com o especialista, quando a ansiedade, a frustração e a sobrecarga se instalam, o corpo passa a liberar hormônios do estresse, o que pode desencadear diversas alterações. “Mudanças hormonais, dores físicas, irritabilidade, prejuízos no sono e dificuldades nos relacionamentos são alguns dos sinais de que a mente está sobrecarregada. O corpo, nesses casos, responde como um alerta de que algo precisa de atenção”, relata o profissional.

DIÁLOGO ABDERTO

Segundo Dr. Arthur Lobato, o diálogo aberto sobre saúde mental é apontado como um dos caminhos mais importantes para romper preconceitos e tabus. “Falar sobre sofrimento psíquico ajuda a normalizar experiências humanas comuns e reforça que ninguém enfrenta essas dificuldades sozinho. Além disso, contribui para desconstruir a ideia equivocada de que transtornos mentais são resultado de fraqueza ou falta de caráter, fortalecendo uma cultura de empatia e acolhimento”, destaca.

Alguns sinais indicam a necessidade de buscar ajuda profissional, tanto psicológica quanto psiquiátrica. “Alterações no apetite e no sono, irritabilidade constante, desânimo persistente, perda de interesse por atividades antes prazerosas e tendência ao isolamento social não devem ser encarados apenas como cansaço passageiro. Quando esses sintomas se prolongam, a avaliação especializada se torna fundamental para um cuidado adequado”, alerta o médico da FSFX.

AUTOCUIDADO

O autocuidado também desempenha um papel essencial na preservação da saúde mental e pode ser incorporado de forma simples à rotina. “Não é necessário dispor de longos períodos livres para isso. Respeitar o horário de sono, aprender a estabelecer limites, fazer pequenas pausas durante o trabalho para alongar o corpo, relaxar ou se desconectar por alguns minutos são atitudes que ajudam a reduzir o impacto do estresse diário”, orienta.

A mensagem central da campanha Janeiro Branco é reforçada pelo psiquiatra da FSFX. “Não existe saúde plena sem saúde mental. O cérebro comanda todo o funcionamento do corpo e, quando não está em equilíbrio, todo o organismo sofre as consequências. Cuidar da mente é tão essencial quanto cuidar do corpo e deve ser prioridade ao longo de todo o ano”, pontua Dr. Arthur Lobato.

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