O anúncio foi feito após protesto de agricultores do sindicato de direita Coordination Rurale, em Paris
PARIS – A França votará contra um amplo acordo comercial que a União Europeia deve assinar com países sul-americanos, disse o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (8), enquanto agricultores bloqueavam estradas de acesso a Paris e pontos turísticos como o Arco do Triunfo em protesto contra o pacto.
Agricultores do sindicato de direita Coordination Rurale convocaram os protestos em Paris em meio a temores de que o acordo de livre comércio planejado com o bloco Mercosul inunde a UE com importações de alimentos baratos.
NÃO É O FIM
Macron afirmou nas redes sociais que a França votaria contra a assinatura do acordo na sexta-feira (9), apesar de ter garantido “compromissos importantes” da Comissão Europeia.
“A assinatura do acordo não é o fim da história. Continuarei a lutar pela plena implementação dos compromissos obtidos junto da Comissão Europeia e para proteger os nossos agricultores”, disse ele em X.
IRLANDA
A Irlanda também votará contra o acordo, afirmou anteriormente o vice-primeiro-ministro irlandês, Simon Harris. No entanto, como a Comissão Europeia parece ter garantido o apoio da Itália, é provável que o acordo seja aprovado na votação de sexta-feira.
O acordo comercial, apoiado por países como a Alemanha e a Espanha, é uma questão politicamente delicada para o governo francês, com eleições municipais em março e a extrema-direita em forte ascensão nas sondagens, antes das eleições para substituir Macron em 2027.
COMISSÃO EUROPEIA
A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, reiterou que, mesmo que os membros da UE apoiassem o acordo, a França continuaria a lutar contra ele no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o acordo entre em vigor.
Esta semana, a Comissão Europeia propôs disponibilizar antecipadamente 45 mil milhões de euros (52,42 mil milhões de dólares) de fundos da UE aos agricultores no próximo orçamento de sete anos do bloco e concordou em reduzir as taxas de importação de alguns fertilizantes, numa tentativa de conquistar os países que hesitam no seu apoio ao Mercosul.




