quinta-feira, fevereiro 20, 2025
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Fiemg avalia que taxação do aço e alumínio pode impactar setores em diferentes níveis

Os EUA ocuparam em 2024 a 1ª posição no ranking de destinos das exportações de aço e a 6ª posição (após uma queda brusca) do alumínio de Minas Gerais

Em nota divulgada nesta quarta-feira (12/02), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) diz que acompanha com atenção os desdobramentos sobre a taxação de 25% nas exportações de aço e alumínio para os Estados Unidos, anunciada na noite desta segunda-feira (10/2), pelo presidente Donald Trump. A Fiemg faz ainda uma análise sobre os impactos da taxação do aço e alumínio mineiros exportados para os EUA.

“É importante ressaltar que, por se tratar de uma taxação aplicada a todas as economias e não exclusivamente ao Brasil, o cenário colocaria os países em condições de concorrência mais equilibradas. Mas tudo depende das negociações bilaterais entre o país norte-americano com o Brasil”, diz a nota.

 O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, destaca que a expectativa é de que o Brasil tenha uma oportunidade em obter uma vantagem competitiva, uma vez que a indústria brasileira complementa a americana. “Assim como ocorreu no primeiro mandato do presidente Donald Trump, entendemos que pode haver algumas concessões em função da complementariedade das duas indústrias. Grande parte das nossas exportações são de produtos semielaborados, que passam por processos de industrialização em empresas norte-americanas, muitas delas coligadas a companhias brasileiras. Isso pode ser um fator favorável para que o Brasil não saia machucado dessa situação”, afirma.

EXPORTAÇÕES MINEIRAS

A análise feita pela Fiemg avalia que acompanhando o padrão brasileiro e sendo o estado que mais exporta produtos metalúrgicos e siderúrgicos, Minas Gerais também tem aumentado a concentração de suas exportações desses grupos de produtos aos EUA.

Em alguns anos, nossas exportações aos EUA representaram 21% do total, em

2024, essa participação chegou a 30% e estima-se que para o aço, em específico, seja ainda maior.

As exportações de MG de Ferro fundido, ferro e aço; e Obras de ferro fundido,

ferro ou aço para os EUA desde 2015 até 2024 somaram US$ 8,86 bilhões, representando o maior destino das exportações mineiras. Os produtos de maior destaque são ferro-ligas (43,07%), ferro gusa, spiegel ou em outras formas primárias (19,44%), tubos e perfis ocos de ferro ou aço sem costura (9,94%), produtos semimanufaturados de ferro ou aço (7,64%).

IMPACTO

Conforme os analistas da Fiemg, a taxação de aço e alumínio podem impactar em diferentes níveis o setor siderúrgico e metalúrgico de MG.

Um maior impacto pode ser esperado devido à taxação ao aço, dado que o setor

de alumínio é menos dependente de suas exportações aos EUA e pode-se

redirecioná-las mais facilmente.

O Brasil é o 2º maior fornecedor de aço para os EUA e o 17º maior fornecedor de alumínio. No entanto, os EUA são um destino estratégico de nossas exportações.

Principalmente no setor do aço, no qual se estima sejam destino de cerca de 50% do total que enviado ao exterior. Já no caso do alumínio, menos de 20% é

destinado ao país, o que ainda é significativo, porém existem mais alternativas de mercado para nossa diversificação.

Da perspectiva de Minas Gerais, os EUA ocuparam em 2024 a 1ª posição no

ranking de destinos das exportações de aço e a 6ª posição (após uma queda

brusca) no caso do alumínio.

Minas Gerais é um destaque nas exportações principalmente do aço, sendo o

estado que mais produz aço no Brasil, o equivalente a 30% do total nacional em

2024. No caso do alumínio, o setor é relevante para nossa indústria, mas é menos dependente dos EUA, apenas cerca de 10% de nossas exportações são destinadas ao país, e há mais alternativas para redirecionar nossa oferta.

CHINA

O caso do aço é mais sensível ainda considerando que, com as tarifas elevadas

aplicadas pelos EUA ao aço chinês, a China tenderá a redirecionar parte da oferta para o Brasil, prejudicando ainda mais a indústria siderúrgica nacional, o que já tem ocorrido. Essas situações demandarão ações protetivas por parte do governo, que já estão sendo implementadas, mas até então sem conseguir conter a entrada. Mesmo com as medidas comerciais já implementadas atualmente para

barrar o aço chinês, espera-se crescimento das importações brasileiras do

produto para 2025.

Por outro lado, o Brasil sendo o 2º maior fornecedor de aço para os EUA, suprindo 13,7% de sua demanda. As principais alternativas que são o Canadá e o México são limitadas, dado que o Canadá produz cerca de 1/3 do que o Brasil produz e o México cerca de metade.

Portanto, é possível que tenhamos uma reprise do que aconteceu no primeiro

mandato do Trump em relação à taxação desses produtos visto que são insumos

importantes para a indústria norte americana e sendo taxados de forma global terá impacto na cadeia produtiva daquele país. Além disso, também podemos ter um cenário semelhante ao de países como México e Canadá que após negociações com o governo americano tiveram a ameaça de tarifa provisoriamente suspensa.

Esse cenário demandará também, assim como ocorreu em outros países, a

habilidade de negociação do Brasil para contornar essa medida e apresentar uma

proposta que seja favorável a ambos os países.

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