IPATINGA – O espetáculo “Eu Rio Que Transborda” retorna aos palcos para mais duas apresentações gratuitas. Dia 17/01 (sábado), às 20h e 18/01 (domingo), às 19h, no ECOAR Ponto de Cultura, no bairro Limoeiro (Avenida José Anatólio Barbosa, 1052 C), na cidade de Ipatinga. As sessões terão acessibilidade em Libras e os ingressos podem ser retirados pelo Sympla.
Com dramaturgia, direção e atuação do multiartista Matí Lima, o trabalho tem a supervisão artística de Aléxia Dias e Gustavo Nascimento, consultoria em capoeira de B.boy Luizin, cenografia e operação de luz de Talikinho, produção e Lucciano Whyte e assistência de produção de Black Juh e D,Grego.
PRETAGONISMO
A montagem estreou em dezembro de 2025 inaugurando na cidade uma pesquisa sobre o teatro negro; ampliando as ações do artista e do ECOAR Ponto de Cultura pela emancipação de artistas negros/as e periféricos nas artes.
A montagem coloca no centro do palco o “pretagonismo” e aborda diversas violências que atingem a população negra em todo o país. O público terá a oportunidade de adentrar a realidade, as dificuldades, os desafios que assolam a população negra na sociedade e como a pluralidade da cultura afrobrasileira com seus ritmos, músicas, ritos, gingas, danças e espiritualidade são válvulas de respiro e tecnologia ancestral em meio a tantas lutas e desafios.
RETORNO
Matí Lima afirma que “o trabalho não é sobre dor, ela está presente na dramaturgia, pois a mesma existe; entretanto as diversas injustiças e atrocidades que nos afetam diariamente são um convite para que façamos o movimento do retorno, para enegrecermos e instituirmos caminhos de cura nossa e de nossos antepassados”.
Segundo Matí Lima, a estrutura dramatúrgica está enraizada em três partes. A primeira parte é composta por capítulos que abordam o racismo estrutural, institucional, religioso e ambiental; a segunda parte por capítulos que convidam a olharmos para nós e para os nossos com afeto e reconhecimento de nossas potencias; a terceira parte propõe possiblidades de caminhos para a cura e emancipação. Todas as encruzilhadas percorridas durante a encenação são sustentadas também pela cultura dos terreiros; suas danças e músicas, seus orixás e seus guias espirituais. O coração tambor do espetáculo tem música ao vivo executadas pelos percussionistas e ogãs WR e Jackson Patrick”.
“O protagonista do espetáculo é a cultura afrobrasileira e o antagonista é o racismo que coloca corpos pretos às margens da sociedade e nas bordas do mundo. Rompe a farsa do “homem universal” que tanto foi disseminada pela branquitude e ao mesmo tempo propõe o movimento Sankofa, adentrando o tempo espiralar e reconhecendo a fé como pilar da cultura afro-brasileira. O que se vê em cena não é religião – o religare, é cultura.” – pontua Matí Lima.
O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura (Minc), operacionalizado pela Prefeitura Municipal de Ipatinga, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (SEMCEl). Termo de Execução 149/2025.




