IPATINGA – Neste domingo, 8 de março, a partir das 15h, movimentos sociais, coletivos culturais, sindicatos, artistas, militantes independentes e mandatos populares realizam o Ato do Dia Internacional das Mulheres no Parque Ipanema, em Ipatinga. A concentração acontece em frente à placa “Eu amo Ipatinga”, de onde sairá um cortejo que seguirá até o auditório do parque, reunindo arte, cultura e mobilização política em defesa da vida das mulheres.
AFOXÉ
O cortejo será conduzido pelo Bloco Afoxé, de Timóteo, que neste ano homenageia duas importantes referências nas lutas das mulheres na região: Nadir Gomes da Silva, Dona Nadir, uma das pioneiras do carnaval de Timóteo e cofundadora da Escola de Samba Unidos do Quitandinha, e a professora Fabíola Batista da Silva, educadora e ativista do movimento negro, atuante em diversas escolas e participante de expressões culturais afro-brasileiras como o congado.
Também são reconhecidas Ana Letro e Núbia, importantes referências na educação de pessoas oprimidas e periféricas. Suas trajetórias de dedicação à formação crítica, à valorização da cultura e ao fortalecimento das comunidades tornaram-se inspiração para o Vale do Aço e para as novas gerações que seguem construindo caminhos de resistência e transformação social.
ATO DE MEMÓRIA
Mais do que uma celebração, o 8 de março no Vale do Aço será um ato de memória, denúncia e mobilização coletiva. As intervenções artísticas e políticas colocarão no centro do debate a realidade das mulheres trabalhadoras, marcadas pela sobrecarga da jornada dupla de trabalho, pela desigualdade salarial e pelos constantes ataques aos direitos.
O ato também denunciará a violência estrutural que atinge as mulheres, expressa no feminicídio e nas diversas formas de violência de gênero, reafirmando que nenhuma agressão será naturalizada e que a luta pela vida das mulheres é urgente e permanente.
Entre as pautas levantadas estão o fim da escala 6×1, a defesa da tarifa zero e de um transporte público de qualidade, o combate à desigualdade salarial, a valorização da diversidade de gênero e o acesso à saúde integral das mulheres. Também ganham destaque as lutas em defesa dos territórios, da água e da vida, reconhecendo a relação profunda entre as mulheres, a natureza e os saberes ancestrais na proteção da Mãe Gaia e na continuidade das lutas herdadas de nossas ancestrais.
DENÚNCIA DE INJUSTIÇAS
A comissão organizadora reforça que o ato é um momento de organização popular e expressão coletiva, no qual mulheres trabalhadoras e seus aliados reafirmam a força da mobilização social para denunciar injustiças, pressionar por mudanças, barrar retrocessos e seguir na luta por vida digna, justiça social e direitos.
A programação contará com diversas expressões culturais e políticas no auditório do Parque Ipanema, com a participação do Grupo Baque Mulher, Tamborelas, Ciranda de Saia, o grupo de arpilheiras “Tecendo Vozes: Direitos Humanos, Autocuidado e Arte como Resistência”, artesãs independentes, o coletivo Bordando por Democracia, intervenções de Teatro do Oprimido com o Grupo Farroupilha e a Roda das Pretas, além de uma exposição que retrata as lutas e trajetórias das mulheres.
A participação é livre e aberta ao público.



