Cidades

Vítima de tragédia necessita de doações para tratamento médico

A menina necessita de tratamentos urgentes de fonoaudiologia e fisioterapia neurológica    (Álbum de família)

IPATINGA – Vítima de uma tragédia em 2011, a pequena Letícia Lima Bonfim, de um ano e sete meses, vem motivando uma série de manifestações que visam arrecadar doações para financiar seu tratamento médico bem como a compra de acessórios especiais para uso contínuo. A pequena foi baleada na cabeça e teve sua mãe e dois tios mortos na mesma ocasião.

Letícia era recém nascida quando o crime ocorreu – tinha somente 25 dias. Atingida por um disparo, foi a única sobrevivente da barbárie, mas passou desde então por diversos procedimentos cirúrgicos. Ela perdeu 40% de massa encefálica e foi afetada por uma hidrocefalia (acúmulo de água no cérebro).

Os movimentos do lado esquerdo de seu corpo também foram afetados pelo tiro. Um laudo do mês passado, assinado pela médica Maria Aparecida Lourdes Xavier, aponta que a menina necessita com urgência iniciar tratamentos nas áreas de terapia ocupacional, fonoaudiologia e fisioterapia neurológica. O relatório afirma ainda que seu tratamento deverá ser de forma sistemática e por tempo indeterminado.

GRUPO DE APOIO

Sensibilizado com o drama de Letícia, um grupo de jovens de Ipatinga intitulado Grupo Juventude Consciente Quer Criança Sorridente vem organizando uma série de eventos para arrecadar fundos para o tratamento.
A campanha em prol de Letícia foi iniciada há cerca de um mês e está mobilizando doadores por meio da internet, tendo arrecadado aproximadamente R$ 7 mil, que viabilizaram o início do seu tratamento. Com o dinheiro, foi possível, por exemplo, adquirir uma roupa especial desenvolvida para crianças com desordens neuromotoras complexas e indicada para o alinhamento e estabilidade postural.

Renan Amaral, membro do grupo de jovens, informou que existem várias frentes mobilizadas em ajudar Letícia. Na semana passada, um bingo beneficente foi organizado em um bar no Novo Cruzeiro, onde toda a arrecadação foi destinada ao tratamento da menina. Na próxima semana, no sábado (20), uma festa também arrecadará fundos para o tratamento de Letícia. O evento acontece em uma boate do bairro Cariru e terá 100% de sua bilheteria revertida para a reabilitação da garota.

O CRIME
Conhecido como “chacina do Canaãzinho” o crime aconteceu na manhã do dia 2 de agosto de 2011, na rua Baruc. Segundo a Polícia Militar na época, por volta das 9h, o comerciante Vantuil Luiz Soares, de 42 anos, invadiu uma casa e abriu fogo contra as quatro pessoas que ali estavam. Foram fatalmente vitimados: Júnio de Lima e Souza, na época com 23 anos, Elizabete Ferreira Lima Bonfim, 29 anos e Malvina Lopes Pena, de 30 anos. Os três eram irmãos e moravam no mesmo imóvel. Júnio morreu no local, com um tiro no rosto. Malvina foi atingida na barriga e morreu no Hospital Márcio Cunha, assim como Elizabete, que chegou a ser operada, mas não resistiu.

A barbárie teve causas passionais. O comerciante não aceitava o fim do relacionamento que mantinha com Malvina. Após cometer o massacre, Vantuil seguiu em seu carro em direção a Pingo D’água, cidade onde morava, e na entrada do município, se suicidou com um tiro na cabeça. Uma carta escrita por ele foi encontrada dentro do veículo e, entre outras coisas, o assassino dizia que gostava muito da ex-namorada e reclamou que a família dela não aceitava o relacionamento. Vantuil ainda teria escrito que queria ser enterrado ao lado de Malvina.

FAMÍLIA
Letícia vive hoje com o pai e uma irmã, atualmente com quatro anos, que escapou da tragédia porque no horário do ocorrido estava em uma creche. A família sobrevive com a ajuda de parentes e amigos, pois o pai ainda faz acompanhamento psiquiátrico devido à tragédia. Doações para o tratamento de Letícia também podem ser feitas por meio de uma conta bancária especialmente criada para a campanha. Qualquer quantia pode ser doada e os depósitos podem ser feitos pela agência 3003-1, conta poupança 29.249-4, Banco do Brasil.

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