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07/11/2017 06h03

Exércitos dos EUA, Brasil, Colômbia e Peru realizam manobras na Amazônia

O governo Temer em mais um ato de subordinação aos EUA e contra a soberania nacional, abriu as fronteiras da Amazônia brasileira para manobras conjuntas entre os exércitos brasileiro, dos EUA, Peru e Colômbia.

BRASÍLIA – O governo Temer em mais um ato de subordinação aos EUA e contra a soberania nacional, abriu as fronteiras da Amazônia brasileira para manobras conjuntas entre os exércitos brasileiro, dos EUA, Peru e Colômbia. A simulação de ajuda humanitária a AmazonLog17, começou com a prestação de atendimento de saúde a moradores do município de Tabatinga e da região do Alto Solimões, na tríplice fronteira do Brasil com o Peru e a Colômbia. Os exercícios militares, entretanto, tem claros objetivos estratégicos de reconhecimento de área para eventuais operações de contra-guerrilha, combate ao narcotráfico e outras formas de intervenção e violação da soberania dos territórios latino-americanos com o apoio dos governos dos países participantes.

A versão militarizada do Mais Médicos constata a situação dos ribeirinhos e vai embora após os exercícios

AJUDA HUMANITÁRIA
Segundo a agência oficial de notícias do Brasil, reconhece que as ações de treinamento de “ajuda humanitária” envolvem militares dos três países, além de um contingente dos Estados Unidos e observadores internacionais. “A simulação conjunta que acontece até o dia 13 de novembro abarca uma série de atividades, como treinamento para resgates, suprimentos, manutenção e transporte, além de prestação de serviços de saúde”.
Uma vez terminados os exercícios militares os moradores ribeirinhos consultados pelos médicos militares vão permanecer doentes em seus barracos, aldeias e palafitas, agora, devidamente cadastrados e registrados pelas forças de segurança da tríplice fronteira amazônica.
Durante o exercício, o Exército estima realizar cerca de 450 a 500 atendimentos diários às populações indígenas e ribeirinhas do Brasil e dos países vizinhos, nas especialidades de clínica geral, pediatria, ginecologia e oftalmologia. Além da estrutura do hospital militar de Tabatinga, parte dos atendimentos também é feita no hospital de campanha montado na base multinacional que abriga os militares participantes do evento.

Chefe do Estado-Maior Combinado, general de brigada Antonio Manoel de Barros, fala sobre o AmazonLog 2017, exercício de logística multinacional inédito na América do Sul

BOA FÉ
A reportagem acompanhou o início dos trabalhos e conversou com o casal Maria Cauaxe de Souza, 63, e Alberto Cauaxe de Souza, 72, os primeiros a chegar para receber as senhas distribuídas pelos militares.
Para assegurar o atendimento, o casal de agricultores andou cerca de três horas para atravessar o assentamento Tacana, localizado na comunidade Bom Jesus, na zona rural de Tabatinga. “A estrada está dificil, choveu. Quando está no verão, é bonito, mas quando chove acaba”, resumiu Alberto.
Eles foram avisados sobre a ação no posto de saúde da comunidade. "De lá, eles mandaram a gente para cá”, disse a agricultora. “Eu sinto fraqueza no corpo, doía a minha cabeça e procurei vir ao médico para ver o que está acontecendo”, afirmou Maria.

DE LONGE

De mais longe veio o jovem Frank Mendonça da Silva, 25 anos, acompanhado do pequeno Jonatan Lorenzo Mendonça Lopes, de pouco mais de 1 ano e meio. Pai e filho tiveram que atravessar de barco, durante dois dias, do pequeno município de Tonantins a Tabatinga.
Localizado no sudoeste do Amazonas e distante cerca de 870 km de Manaus, o pequeno município, com pouco mais de 20 mil habitantes chegou a constar, até o final de outubro, na lista de municípios atingidos pela enchente do Rio Solimões este ano. “A cidade tem até posto de saúde, mas não tem os recursos que tem por aqui. Falta médico. Daí ou a gente vem para cá ou para Manaus”, contou Frank, que há cerca de um ano está desempregado.
Silva relatou que o filho tem um problema na perna, adquirido após uma queda recente. “Ele está puxando a perna e a gente veio para cá para trazer no pediatra. Como tem esse evento, trouxemos ele aqui”, disse.

SEM SAÚDE
Enquanto aguardava o atendimento do clínico geral, a agricultora Maria Vanice Ferreira, 51 anos, relatou que é comum a população atravessar a fronteira em busca de atendimento na vizinha colombiana Letícia.
“Estou sentindo dor nos rins e, sexta-feira, deu febre alta. Eu sofro do fígado e eu não sei se é tudo isso. Aí eu vim aqui para ver como é que vai ficar, porque aqui [na Região] alguns atendimentos tem somente em Letícia, mas pagando com dinheiro”, disse Maria Vanice. “Quando a gente não tem dinheiro, não pode fazer nada, fica dificil”, acrescentou.
Bem-humorada, Maria Vanice relatou que também veio saber sobre a possibilidade de um atendimento para o esposo, Raimundo Ferreira, 62, anos, que sofre de diabetes e apresenta problemas na visão em decorrência da doença. “O caso dele é sério: esse AVC [acidente vascular cerebral], já deu seis vezes nele. Eu já disse que ele é igual gato: tem sete vidas”, brincou.

As manobras estão sendo realizadas na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia

FALTA DE OXIGÊNIO
Tabatinga tem apenas uma unidade de pronto atendimento e algumas unidades básicas de saúde. A maioria dos atendimentos fica a cargo do Hospital de Guarnição do Exército. No fim de outubro, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) começou a investigar uma denúncia de falta de oxigênio medicinal nos hospitais do município.
Uma das responsáveis por coordenar a distribuição dos atendimentos, a major do Exército Sonia Alves disse que o exercício acaba sendo uma forma de conhecer um pouco mais sobre a região. "A gente chega aqui e vê a carência que tem de profissionais, de clínicas”, disse a militar, que há dois anos serve em Manaus.

AMAZONLOG

O AmazonLog deve reunir cerca de 2 mil participantes. Do Brasil, participarão cerca de 1.550 militares; a Colômbia deve enviar 150; o Peru, 120 e, os Estados Unidos, 30. Outros países, como Alemanha, Rússia, Canadá, Venezuela, França, Reino Unido e Japão levarão menos de dez representantes cada.
A atividade envolve unidades de transporte, logística, manutenção, suprimento, evacuação e engenharia. No caso de catástrofes, por exemplo, requer o planejamento logístico de deslocamento de equipamentos, suprimentos e equipes até o local da ação. Durante o treinamento, são realizadas simulações do preparo da área, do atendimento aos feridos e da evacuação do local.

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