Cidades

Terceirizados da Cemig param serviços essenciais

O eletricista Gilberto Soares: atrasos no pagamento, perseguições e até desvio de contribuição sindical
(Crédito: André Almeida)


IPATINGA
– Cerca de 100 funcionários da maior empresa terceirizada da Cemig no Vale do Aço paralisaram as atividades e fizeram um protesto na tarde desta quinta-feira (18). Os trabalhadores, em sua maioria eletricistas, denunciaram diversas irregularidades cometidas pela Ecel – Engenharia e Construções, como más condições de trabalho, perseguições e até falta de pagamento.

A empresa é contratada pela Cemig e é responsável por serviços essenciais de eletricidade como manutenção de rede elétrica, corte e religação, iluminação pública e também novas instalações elétricas. Devido ao seu alcance, a empresa é a maior prestadora de serviços para a Cemig na região e os trabalhadores acreditam que se a paralisação continuar a partir da próxima semana, a situação no Vale do Aço pode se tornar caótica.

Em Ipatinga, a sede é localizada no bairro Caravelas e foi lá que os trabalhadores, em greve desde a última quarta, se reuniram para o protesto. Os funcionários pedem que os salários sejam aumentados para que eles recebam, ao menos, o mínimo para a categoria, o que eles dizem que não vem acontecendo.

RECLAMAÇÕES

Segundo com um dos representantes do movimento, Gilberto Soares, as horas extras não são pagas e os funcionários vêm sendo obrigados a trabalharem aos sábados sem receber, sob ameaça até mesmo de demissão.

Salários atrasados também fazem parte das reclamações dos eletricistas, que recebem por empreitada. Genilson Carlos dos Reis e Cleiton Márcio Costa são funcionários da Ecel e disseram que seus vencimentos não são pagos há cerca de dois meses. De acordo com eles, a empresa não os escala para nenhuma atividade e consequentemente os salários não são pagos.

Os funcionários disseram que as denúncias por eles relatadas foram encaminhadas em forma de ofício ao Ministério Público do Trabalho, em Coronel Fabriciano. Eles aguardam agora um posicionamento do órgão sobre o assunto.

SINDICATO

Uma das acusações mais graves que os grevistas fazem contra a Ecel é sobre o pagamento da contribuição sindical. Gilberto Soares explicou que a taxa, paga anualmente, não foi repassada pela empresa ao sindicato que representa a categoria, o Sindieletro. “Nós queremos resposta. Queremos saber no bolso de quem está esse dinheiro”, afirmou o eletricista.

Segundo o diretor do Sindieletro, Henderson Hirata, atualmente os trabalhadores da Ecel não são representados por nenhum sindicato. Entretanto, a entidade participou do movimento desta quinta e prometeu apoiar o grupo, mesmo sem ter recebido a contribuição sindical da empresa.
Os funcionários também reclamam da falta de negociação por parte da Ecel.

ATO PÚBLICO

Para esta sexta-feira, os manifestantes organizam um ato público em frente à Cemig, no Centro de Ipatinga, a partir das 7h da manhã. A intenção é pressionar a concessionária para que ela seja uma intermediária nas negociações entre as duas partes.
Procurados pela reportagem, nenhum representante da Ecel, tanto em Ipatinga quanto na sede em Montes Claros, quis se pronunciar.

CEMIG
Já a Cemig informou, por meio de nota, que a rotina de atendimento à população não foi alterada em função da greve dos empregados da empresa terceirizada. Ressaltou, ainda, que não interfere nos processos de negociação salarial ou de acordo coletivo de trabalho entre as prestadoras de serviços e seus respectivos empregados, podendo apenas cobrar das mesmas o cumprimento do contrato de prestação de serviços. Por fim, a Cemig informou que garante o atendimento de qualidade a seus clientes, independente de ocorrências como esta.

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