Policia

Soldado da PM é absolvido

O julgamento realizado no Salão do Júri da Comarca de Ipatinga começou por volta das 8h e terminou por volta de 15h

 

IPATINGA – O soldado da Polícia Militar, Victor Emmanuel Miranda de Andrade, foi absolvido na tarde desta terça-feira (24) pelo Tribunal do Júri, após sete horas de julgamento, iniciado na manhã de ontem (24). O PM foi inocentado da acusação de homicídio contra Admar de Almeida Pereira, 20 anos, assassinado a tiros em 2005.
A sessão do Júri Popular iniciou às 8h, presidida pelo juiz Antônio Augusto Calaes. A acusação ficou a cargo do promotor de Justiça Hélio Pedro Soares, de Teófilo Otoni. Pela defesa, o advogado Renato Lopes Costa e seu assessor Renê Lopes Costa.
O policial foi a júri exatamente sete anos depois de ter sido apontado como o principal acusado de matar Admar. O soldado Victor ainda responde em liberdade a outros processos por assassinatos em Ipatinga.

ACUSAÇÃO

O Ministério Público se valeu de provas testemunhais a fim de convencer os jurados de que Victor teria assassinado a vítima. Ele expôs para o Conselho de Sentença depoimentos de pessoas que estavam presentes no momento do crime.
Segundo consta dos autos, o atirador pilotava uma Honda Titan Cinza, usava um capacete branco e estava vestido com uma camisa verde de botão. As características foram apontadas por dois irmãos da vítima Admilson de Almeida Pereira e Gilmara Aparecida Pereira, que garantiram ter reconhecido Victor pela viseira do capacete como sendo o autor do disparo.

DEFESA

O advogado de defesa, Renato Lopes Costa, considerou que o promotor de justiça ficou perdido em sua fala e criticou o fato de a acusação ser de outra Comarca. Renato disse ainda que julgava ser um gasto desnecessário a realização do júri popular. A tese usada pela defesa é que não havia provas suficientes para a condenação.
A defesa usou a própria tese da acusação – a de que Victor teria sido reconhecido pela viseira do capacete – na tentativa de convencer os jurados de que o argumento era fraco. A defesa levou para a sessão dois capacetes brancos e questionou ao corpo de jurados se era possível reconhecer alguém apenas pela viseira.

RÉPPLICA
Na sua segunda explanação, o promotor foi mais incisivo e tentou explorar ao máximo as provas testemunhais. Chamou a Polícia Militar de corporativista, alegando que no dia do crime quatro policiais militares, após saberem que Victor era considerado o principal suspeito, nada fizeram. “Nunca vi tanta trapalhada na tentativa de acobertar um colega de farda”, disse o promotor.
Além dos depoimentos, a acusação apresentou um recibo de locadora mostrando que na hora do crime Victor estava em uma locadora de vídeos. No papel, constava a hora e a data, o que para o promotor foi uma tentativa do réu se ver livre da acusação. “Isso tudo não passou de uma armação para forçar um álibi. Eu nunca vi colocar a hora em que o vídeo foi locado”, argumentou.

TRÉPLICA
Na fase final dos debates, o advogado de defesa Renato Lopes sustentou que não havia provas técnicas que reforçassem a denúncia. Renato mostrou que os depoimentos das próprias testemunhas são contraditórios e sem credibilidade, já que a irmã da vítima é apontada como traficante de drogas na região, e que a outra testemunha (o irmão de Admar) estava sob efeito de álcool. Por isso, eles não poderiam afirmar com certeza que Victor era de fato o atirador.
A defesa ainda apresentou o testemunho de outras duas pessoas que alegaram que o atirador estava vestido com uma jaqueta azul. O advogado criticou a investigação da Polícia Civil e o andamento do processo. “No dia do crime não houve perícia, nenhum delegado esteve no local como manda a lei, não realizaram exame para saber se na roupa do acusado havia resquícios de pólvora”, argumenta.
Por último, o advogado pediu a absolvição do réu caso o corpo de jurados tivesse uma “ponta” de dúvida.
Victor Emmanuel recebeu os cumprimentos de seus colegas de profissão e saiu pela porta da frente do salão do júri acompanhado por familiares.

A DENÚNCIA
Conforme denúncia oferecida pelo Ministério Público, no dia 24 de abril de 2005, Victor Emmanuel matou Admar. O crime ocorreu por volta de 19h, na rua Ester, no bairro Canaã. A cena foi presenciada pela mãe do rapaz e por outros familiares. A vítima foi morta com 11 tiros de uma pistola semiautomática 380. Na ocasião, os dois irmãos de Admar, Ademilson e Gilmara correram atrás da moto para anotar a placa, mas o piloto do veículo atirou contra eles, que acabaram sendo alvejados.
O MP ainda denunciou o soldado pelo assassinato de sua ex-mulher, a atendente Francislaine Simões de Oliveira Andrade, 24 anos. No dia 11 de março de 2007, ela foi morta em um hotel onde trabalhava no bairro Ferroviários. Segundo consta da denúncia, Victor teria simulado um assalto, se aproximou da vítima e efetuou quatro disparos. Vitor Emmanuel deixou o Vale do Aço em 2009, quando foi transferido para o 8º Batalhão da PM de Lavras.

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