Cidades

Sindicato reclama de ambulantes

Ambulantes trabalham em ruas do Horto, concorrendo com o comércio formal; sindicato pede providências

 

IPATINGA – Mais uma vez, a discussão para retirar os vendedores ambulantes das ruas do bairro Horto voltou à tona. Comerciantes e empresários pediram o apoio da Prefeitura Municipal de Ipatinga para solucionar o problema. O principal alvo das reclamações são os vendedores de produtos alimentícios.
Benedito Pacífico da Rocha, presidente do sindicato dos donos de hotéis, bares, restaurantes e similares do Vale do Aço, está à frente da situação. “Procuramos a Prefeitura para que alguma providência seja tomada. A situação encontrada no Horto já está sufocando os comerciantes. Fomos procurados pelos nossos associados que trabalham naquela área e estão se sentindo prejudicados”, informou Benedito. A Prefeitura Municipal informou está analisando a questão.

MOVIMENTO
No período da noite, o movimento é intenso próximo à rua Jequitibá, devido a uma faculdade que se encontra no local. E é nesse período que os ambulantes começam a chegar. “Durante a noite tem um movimento muito grande de pessoas. Estão instalados vários bares associados ao sindicato naquele local. Mas também chegam vários ambulantes e os associados estão reclamando que estão sendo prejudicados porque as barraquinhas impedem que os clientes cheguem aos restaurantes”, declarou Benedito Pacífico.
Ronaldo Rosa de Souza trabalha como ambulante no Horto há sete anos e disse que a reclamação dos comerciantes não tem fundamento. “Os moradores não se incomodam com a gente. Apenas uns comerciantes querem nos tirar, sendo que a gente chegou aqui antes deles. Acredito que a reclamação não tem fundamento. Eles estão apelando porque somos o lado mais fraco”, considerou Ronaldo.
Ainda de acordo com ele o fluxo de alunos é muito grande e os bares e restaurantes instalados no local não são o suficiente para atender à demanda. “Os comércios que estão ao redor da faculdade não são suficientes para atender todos os alunos. São quase 3 mil estudantes. E temos um tempo de 40 a 50 minutos para atendê-los. Os restaurantes não dão conta de atender nesse mesmo período”, contou o ambulante.
De acordo com os ambulantes, muitos donos de comércio apoiam o trabalho deles. “Também já fizemos um abaixo-assinado e recolhemos mais de 500 assinaturas de moradores e alguns comerciantes. É apenas uma pequena parcela que quer que a gente saia daqui. Eu, inclusive, forneço alimentação para alguns moradores do bairro”, disse Maria de Fátima.

SUSTENTO
Os ambulantes instalados no bairro Horto alegam que as barracas são o único meio de sustento para as famílias. “Não tenho mais idade pra arrumar outro emprego. Trabalho aqui há muitos anos e as minhas vendas são o suficiente para eu sobreviver. Se eu tiver que sair daqui todos na minha casa vão passar dificuldade. A gente não está roubando, estamos trabalhando para garantir o nosso ganha- pão”, contou o ambulante João Batista da Silva.
Ronaldo Rosa de Souza disse que prefere não pensar em ter que deixar o trabalho de ambulante. “A gente nem pensa em sair daqui e tenho certeza que o poder público vai agir de uma forma sensata. Porque isso é um trabalho como outro qualquer. Eu sustento a minha família com esse trabalho aqui”, concluiu o ambulante.

Informais afirmam que querem se regularizar
Ipatinga
– O presidente do sindicato dos donos de hotéis, bares, restaurantes e similares do Vale do Aço, Benedito Pacífico, alega que os ambulantes competem de forma desleal com os comerciantes locais por não pagarem impostos. “Os restaurantes pagam impostos, geram emprego formais e concorrem com camelôs de forma desleal. Eles não são submetidos a nenhuma fiscalização e não passam pela Vigilância Sanitária. Além disso, eles chegam na hora de maior movimento, quando os comerciantes poderiam lucrar mais. É uma concorrência desleal e clandestina. Ou eles deveriam passar para a economia formal ou deixar o local para aqueles que estão instalados naquela área”, ressaltou Benedito.
Maria de Fátima possui uma barraca de lanches em frente à faculdade há quatro anos e acredita que no local existe espaço para todos trabalharem. Diz ainda que os ambulantes querem sair da informalidade. “A gente ajuda os alunos, assim como eles nos ajudam. Aluno não tem condições de pagar mais caro para comer. A gente quer pagar imposto e queremos ter um alvará, pois achamos justo pagar imposto, mas a Prefeitura não resolve a situação”, disse Maria de Fátima.
Segundo Ronaldo Rosa de Souza, a administração municipal já foi procurada pelos ambulantes que querem sair da informalidade. “A gente só não legalizou ainda porque eles não quiseram legalizar a gente. Eles ficaram de olhar mas não nos deram retorno. Estamos dispostos a pagar impostos como todo mundo, só não temos condições de pagar um aluguel caro”, revelou Ronaldo.
Já Benedito Pacífico da Rocha espera que a Prefeitura zele pelos direitos dos comerciantes que pagam impostos. “Procuramos a Prefeitura porque compete ao poder público defender aqueles que pagam impostos. E já é a segunda vez que eles ficam de tomar providências, mas ainda não tomaram. Esperamos que a PMI faça o papel dela de agente disciplinador”, afirmou Benedito.


Ronaldo diz que sem o trabalho das barraquinhas
as famílias não têm de onde tirar o sustento

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