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Senadores do PT criticam pressão da direita sobre STF

BRASÍLIA – O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou nesta terça-feira (3) em Plenário que estará em julgamento nesta quarta, no Supremo Tribunal Federal, não um "mero habeas corpus preventivo", apresentado pela defesa do ex-presidente Lula para garantir sua liberdade até o trânsito em julgado da sentença que o condenou. Para o senador, o que está em jogo é a democracia e o Estado Democrático de Direito.
Para ele, o Supremo definirá, na verdade, o destino do Estado de Direito, fundado no princípio constitucional da presunção de inocência, que garante a qualquer indivíduo, inclusive a Lula, o direito à liberdade até que não caiba mais recurso a provar sua inocência.
— Mas os radicais estão cegos a isso. Atiram pedras, levantam o relho, coagem e constrangem o próprio STF com a finalidade única de retirar o presidente Lula do processo eleitoral. Porque a lógica é essa: se não posso vencê-lo nas urnas, que seja retirado à força, então — disse Humberto Costa, defendendo a participação de Lula nas eleições deste ano, apesar da condenação do ex-presidente em segunda instância.

ESQUERDA UNIDA

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) saudou a união dos partidos de esquerda contra a escalada de violência política. Para a senadora, o ato público de ontem no Rio de Janeiro marca um momento difícil para os direitos dos trabalhadores e para a democracia brasileira, que considera sob ameaça desde o afastamento de Dilma Rousseff.
Gleisi Hoffman acusou o governo de Michel Temer de estimular na sociedade brasileira um movimento que chamou de “bolsonarismo”, que, em sua opinião, tem a violência como referência. Ela também acusou políticos e elites de apoiar uma extrema direita, que forma milícias para a prática de atentados contra seus opositores. Para a senadora paranaense, a caravana o ex-presidente Lula teria sofrido ataques violentos de gente “atrasada e oligárquica” que não representa o povo da região Sul.
— Não nos calaremos. Não abaixaremos a cabeça. Não temos medo dos chicotes, dos relhos, das pedras. Nunca tivemos. Agora vocês têm que ter medo do voto. Vocês têm que ter medo de Lula. Vocês têm que ter medo do povo organizado. Vocês têm que ter medo daqueles que já experimentaram direitos e que hoje estão com vontade de lutar — desafiou.

PROPAGANDA PAGA
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) criticou a compra de espaço publicitário na imprensa escrita pelo movimento Vem para a Rua para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do habeas corpus do ex–presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E perguntou se grandes grupos econômicos não estariam por trás de tal gasto.
— Será que, como outras matérias jornalísticas já estamparam, vem da Cosan, grupo que representa a Shell? Vem de representantes de grupos grandes, conglomerados empresariais do Brasil? São esses que representam, segundo eles, os legítimos interesses do povo brasileiro? Que estão pagando propaganda nos jornais para pressionar o Supremo Tribunal Federal no sentido da não concessão do habeas corpus ao Presidente Lula? — indagou.
Para Vanessa, o STF tem o direito de rever sua interpretação sobre a prisão após a condenação de um réu em segunda instância. Ela considerou inaceitáveis as pressões que estão sendo feitas contra o Supremo.

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