Policia

Presos encerram greve de fome

Presídio de Fabriciano, onde os presos se rebelaram após o jogo    (Crédito: Gizelle Ferreira)

 

IPATINGA – Só ontem, durante o almoço, os detentos do Presídio de Coronel Fabriciano resolveram encerrar definitivamente a greve de fome decretada desde a tarde da última segunda-feira (14). Os presos decidiram entrar em greve de fome após uma ação punitiva determinada pela direção do presídio em função de uma baderna causada pelos presidiários após o jogo entre América e Atlético pelo Campeonato Mineiro, disputado no último de domingo.
Segundo o diretor da unidade prisional, Edmar Soares, após o jogo, os presos comemoraram o resultado de forma exagerada, com gritos e chutes nas grades, o que provocou grande alvoroço dentro do presídio. Para acalmar os ânimos dos presos, agentes penitenciários se posicionaram cada um em uma cela para realizarem o procedimento de advertência.
No entanto, uma ação punitiva, na segunda-feira de manhã, causou revolta nos detentos. A direção do presídio proibiu os presos de verem televisão. “Os presos da ala A entenderam a punição, mas, os presos da ala B, não compreenderam e aí resolveram fazer greve de fome e ainda ameaçaram quebrar a cadeia”, disse Edmar.

REFORÇO
Diante da ameaça, o Grupo de Intervenção Rápida (GIR) do presídio realizou novo procedimento até a chegada de reforços. A fim de conter o início de um motim, foi necessária a colaboração da Polícia Militar e do canil da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho. “Então eles desistiram de criar o motim, e as lideranças propuseram que todos então entrariam em greve de fome até que as reivindicações fossem aceitas pela direção do presídio”, relata Edmar. Os detentos exigiram o retorno imediato da televisão, aumento no horário do banho de sol e nas visitas e transferência para o presídio de Ipaba.

ATÉ O FIM!
A greve de fome começou a ser suspensa no lanche da tarde de segunda-feira. Até ontem de manhã, apenas duas das 11 celas, ainda resistiam. Como forma de tentar fazer os presos desistirem do protesto, a direção do presídio separou os líderes dos demais presos. “Quando eles saíram de dentro das celas um deles gritou: ‘Até o fim!’ E os demais acompanharam gritando a mesma frase”, conta o diretor.
Mas, segundo Edmar, o fim chegou mais rápido do que o previsto quando bateu a fome nos líderes do movimento. Já na madrugada de ontem (15), eles chegaram a pedir dois pães, pois estavam com fome. “Aí a gente falava com os outros presos que os líderes deles estavam comendo. Chegamos até a levar alguns para verem de perto, e aí a greve de fome foi acabando aos poucos”, resume.
Quanto à suspensão da televisão, os presos vão continuar sem o entretenimento pelo menos por uma semana, até segunda ordem da direção do presídio. “Eu não negocio com preso”, pontua Edmar.

SUPERLOTAÇÃO
O Presídio de Coronel Fabriciano tem capacidade para 190 presos, no entanto já possui cerca de 250. O número pode aumentar, já que o Ceresp de Ipatinga foi interditado pelo Estado no último sábado, devido ao surto de uma doença contagiosa, ainda desconhecida. Com isso, todos os presos que deveriam ser levados para o Ceresp de Ipatinga estão sendo encaminhados para a unidade de Fabriciano.
Segundo Edmar Soares, desde sábado, o presídio recebe pelo menos quatro presos diariamente, vindos de várias partes da região: Ipatinga, Santana do Paraíso, Ipaba. “Então todos aqueles que vão para a Delegacia de Ipatinga e depois são encaminhados geralmente para o Ceresp de lá estão sendo trazidos para cá. Se continuar assim, em menos de um mês a situação do presídio de Fabriciano vai estar caótica”, prevê.


Edmar Soares disse que não negocia com preso e que TV continua suspensa

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