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Presidente do PSB rebate Lacerda e diz que política é construção coletiva

(DA REDAÇÃO) – O presidente do PSB, Carlos Siqueira divulgou carta nesta terça-feira contestando o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, que retirou sua candidatua ao governo de Minas e se desfiliou do partido, creditando sua decisão a “conchavos de gabinete” e à “velha política”.

Segundo Siqueira, a decisão de Lacerda “se dá como consequência natural da derrota certa que encontraria na Justiça Eleitoral, mobilizada por ele na tentativa de anular as deliberações do Congresso Nacional Eleitoral do PSB, que ocorreu no dia 5 de agosto de 2018”.

A nota do PSB lemba ainda a postura de Lacerda na sucessão à Prefeitura de Belo Horizonte, quando “rifou” a candidatura do executivo Paulo Brant e declarou seu apoio ao candidato do PSD, que obteve apenas 3% dos votos. Recorda também que ele foi comunicado das articulações nacionais do PSB e havia concordado com elas. “Já nesse ponto se apresentou a surpresa: um candidato que havia declinado de sua própria candidatura, por meio de carta dirigida à presidência nacional do PSB, que afirmara a intenção de ir ‘cuidar de seus netos’, resolveu impor a todos, por meio da judicialização do processo, sua vontade individual”, expõe o comunicado.

 

Leia a íntegra da nota:

 

O senhor Marcio Lacerda fez chegar à imprensa uma carta, em que credita a “conchavos de gabinete” e à “velha política” a retirada de sua candidatura ao governo do Estado de Minas Gerais.

O motivo imediato, contudo, está longe de se encontrar no que foi alegado: a desistência se dá como consequência natural da derrota certa que encontraria na Justiça Eleitoral, mobilizada por ele na tentativa de anular as deliberações do Congresso Nacional Eleitoral do PSB, que ocorreu no dia 5 de agosto de 2018.

O contexto geral, por outro lado, explica os motivos pelos quais a candidatura ou qualquer outra alternativa se tornaram inviáveis.

Inicialmente, Márcio Lacerda não compreende que política é uma atividade que se exerce por meio de construções coletivas. Ou seja, diálogo não é conchavo; construir candidaturas viáveis não equivale a fazer má política; ouvir o conjunto de forças envolvidas não representa caudilhismo.

Por outro lado, a vontade – grandeza essencial a qualquer ator político que se queira relevante – não é afirmação autoritária e irresponsável de uma postulação.

Vejamos: Marcio Lacerda foi informado, em primeira hora, sobre o andamento das articulações do PSB Nacional relacionadas a Minas Gerais. Desde sempre, houve a preocupação de encontrar, para ele, até ali merecedor de tal deferência, uma posição compatível com sua trajetória política.

Já nesse ponto se apresentou a surpresa: um candidato que havia declinado de sua própria candidatura, por meio de carta dirigida à presidência nacional do PSB, que afirmara a intenção de ir “cuidar de seus netos”, resolveu impor a todos, por meio da judicialização do processo, sua vontade individual.

A atitude confere com o estilo: um político inseguro, vacilante, indeciso, que faz política sem qualquer consideração ao esteio de relações que ela implica, afirma não raro, com seu autoritarismo, uma tentativa de superar as fragilidades que promove, ao cultivar um personalismo, de natureza obviamente antidemocrática.

Se os brasileiros, especialmente aqueles de Minas Gerais, quiserem formar um juízo mais acurado sobre o quilate desse binômio personalismo/autoritarismo, basta recordar o que ocorreu na sucessão do próprio Márcio Lacerda, na prefeitura de Belo Horizonte.

Ele anunciou, pela imprensa, a retirada da candidatura do executivo Paulo Brant para, na sequência, emprestar seu apoio ao candidato do PSD, que mereceu míseros 3% de votos, quando as urnas se fecharam.

É certo, em meio a uma crise tão severa como a atual, que a população do grande Estado das Minas Gerais merece mais razoabilidade e respeito do que se pode esperar de alguém tão claudicante.

 

Carlos Siqueira

Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB

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