Policia

Policiais Militares são indiciados por tortura

“Tiraram minha calça, introduziram o cassetete no meu ânus com pimenta e depois me deram um salgado e refrigerante”, relatou a vítima

 

FABRICIANO – Oito policiais militares, entre eles um sargento, um tenente e um soldado, foram indiciados pela Polícia Civil pelo crime de tortura. Além disso, os PMs ainda são acusados de abuso de autoridade, formação de quadrilha e ato libidinoso. O inquérito que investigou as denúncias será encaminhado na tarde de hoje ao Fórum da Comarca de Coronel Fabriciano, com pedido de prisão preventiva dos policiais.
As investigações começaram depois que o soldador Natanael Alves de Abreu, 25 anos, contou com detalhes à Polícia Civil que foi torturado pelos militares na madrugada do dia 4 de fevereiro. Em entrevista ao DIÁRIO POPULAR, o homem, que possui passagem pela polícia por crime de homicídio, disse que foi torturado porque a PM desconfiou que ele estaria guardando um revólver.

DIÁRIO POPULAR – Você acusa policiais militares de tortura. O que eles queriam?
NATANAEL – Eles fizeram isso, tudo por causa de uma foto de uma arma que foi encontrada no meu celular e eles queriam que eu desse conta desta arma. E eu falava que não sabia desta arma, e que a foto tinha sido tirada em São Paulo. Por causa desta foto, é começou toda a tortura.

DP – O que eles fizeram com você?
NATANAEL – Como não acharam a arma, eles disseram que eu ia pagar pelo “vacilo”, isso na linguagem deles. Foi aí que deslocaram comigo para a estrada dos Cocais. Já dentro da viatura, eu comecei a tomar socos, spray de pimenta nos olhos, apertavam minha garganta. Chegando até o local, tiraram minha calça, introduziram o cassetete no meu ânus com pimenta junto, nas minhas outras partes íntimas, recebi chutes na costela, murros.

DP – Como você se recuperou?
NATANAEL – Depois que eles viram que eu não tinha arma, me levaram até ao posto policial da rodoviária de Fabriciano, me fizeram tomar banho, recolheram minha cueca suja de sangue e jogaram fora. Depois me deram um salgado e um refrigerante e aplicaram um anestésico nas partes feridas. Eu mais ou menos recuperado, um sargento, um tenente e um soldado me ameaçaram e falaram que se eu denunciasse esse caso para a Polícia Civil, eles não tinham nada a perder, a não ser bala de pistola.40. E que matariam minha família.

DP – Você tem como provar que foi torturado?
NATANAEL – Sim. Tenho exames do Instituto Médico Legal, que constataram ferimentos graves, e até fui orientado a procurar um proctologista. Ainda hoje sinto dores internas.

DP – Você se sente ameaçado?
NATANAEL – Sou criticado por policiais militares na rua. E outros da Rotam que falaram que eu estava segurando bomba para a PC e até solicitaram um acordo para quem sabe “resolver” tudo. Mas sempre me sinto inseguro.

DP
– Por que resolveu denunciar?
NATANAEL – Porque eu acho que a polícia não deve fazer isso com ninguém e resolvi falar isso, por que onde está minha honra?

DP – Tem medo de retaliação por contar o caso à imprensa?
NATANAEL – Não, medo nenhum. Nem pela minha família. Se eu tivesse medo, não denunciaria à Polícia Civil.

DP – É verdade que você recebeu R$ 500 para mudar a versão? Você aceitou o dinheiro?
NATANAEL – É verdade sim. E eu aceitei porque meu aluguel estava atrasado. Mas no mesmo dia eu fui na delegacia e contei que recebi o dinheiro.

 

PM informa que investiga o caso
Ipatinga
– Nota encaminhada pelo comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, Tenente Coronel Francisco Assis, informa que “após a instituição tomar conhecimento das denúncias de eventual prática de tortura em Coronel Fabriciano foi instaurado um IPM (Inquérito Policial Militar), a cargo do Major Subcomandante do 14ºBPM, sob acompanhamento de um Promotor de Justiça, além do advogado da vítima”.
O comunicado informa que os trabalhos de investigação estão em andamento e as provas juntadas aos autos ainda são insuficientes para se fazer juízo de valor. Assim que o inquérito da PM for encerrado, as conclusões serão divulgadas à sociedade.

 

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