Policia

Policiais civis são transferidos

“O que vai determinar o que irá acontecer é o final das investigações”   (Crédito: Arquivo)

 

IPATINGA – Três investigadores e um delegado da Polícia Civil foram transferidos para delegacias de outras cidades do Estado. Dois dos detetives e o delegado (Gustavo Cecílio) trabalhavam na Delegacia de Coronel Fabriciano. Outro agente era lotado na Delegacia Regional de Ipatinga. As alterações foram publicadas no Diário Oficial do Estado. Além disso, a confirmação dos remanejamentos foi feita pelo Chefe do 12º Departamento de Polícia, Walter Felisberto, e segundo ele, ainda é esperada a transferência de mais um delegado de Coronel Fabriciano, Daniel Araújo, que se encontra de licença médica.
Os policiais estão sob investigação da Corregedoria de Polícia Civil, desde que um suposto esquema de corrupção, supostamente chefiado pelo ex-delegado João Xingó, foi denunciado pelo ex-delegado Francisco Pereira Lemos, também presidente da Câmara de Fabriciano, em março deste ano. Nas acusações, os policiais estariam recebendo propinas de traficantes de drogas em troca de liberdade ou de supressão de provas que deveriam constar nos inquéritos policiais.
O chefe do 12º Departamento disse que as mudanças foram recomendadas pela Corregedoria da Polícia Civil e acatadas pela Superintendência de Investigação da PC. Segundo Felisberto, um dos argumentos utilizados pela Corregedoria para fazer as alterações é que o clima dentro da Delegacia de Fabriciano estava ruim. “Foi uma proposta da Corregedoria, que entendeu ser bom para a cidade. Já não havia mais clima de harmonia entre a Polícia Civil e a Polícia Militar e isso não vai ao encontro com o que a gente prega sobre a integração das polícias. Foi uma atitude prudente”, considera Walter Felisberto.
O policial destacou ainda que antes mesmo das denúncias virem a público, as investigações já estavam sendo feitas. Ele ainda pontua que as transferências não finalizam as apurações da Corregedoria da Polícia Civil. “Se a Corregedoria apurar e entender que não houve participação destes policiais no suposto esquema de corrupção, eles poderão retornar para seus antigos postos. O que vai determinar o que irá acontecer é o final das investigações”, esclarece.

SUBSTITUIÇÃO

Para suprir a falta dos policiais, Walter Felisberto disse que já solicitou à Superintendência da Polícia Civil novos policiais para ocupar os lugares. Um delegado do Norte de Minas (nome ainda não divulgado) está sendo cogitado para ocupar o lugar do delegado Gustavo Cecílio, em Coronel Fabriciano. “Se a gente não conseguir esses novos profissionais para ocupar os lugares vagos, vamos infelizmente ter que sacrificar alguma unidade do Vale do Aço mesmo, porque nossa estrutura de pessoal já não comporta a demanda de trabalho existente”, finaliza.

ENTENDA
As acusações feitas pelo ex-delegado Lemos foram motivadas por uma denúncia de tortura atribuída a policiais militares. O fato foi publicado na edição do dia 6 de março deste ano. A Polícia Civil indiciou oito militares acusados de torturar o soldador Natanael Alves de Abreu, de 25 anos. O processo está no Ministério Público e corre em segredo de justiça. Na época, o rapaz concedeu entrevista (que está gravada) ao jornal e relatou detalhes da tortura. Ele contou que os PMs teriam introduzido um cassetete em seu ânus e depois jogado spray de pimenta em suas partes íntimas e em seus olhos.
No entanto, um dia depois, em uma entrevista “calorosa” dada por Lemos, a suposta vítima de tortura mudou completamente a versão da história contada aos policiais civis. No dia, ele negou tudo e disse que foi abordado pelos militares porque estava portando drogas e que foi obrigado por policiais civis a contar que fora vítima de tortura. “Nenhuma tortura aconteceu. A verdade é que eu fui preso em Timóteo, fui levado à delegacia de Ipatinga e lá eu fui detido. Pediram pra mim R$ 5 mil para me liberarem e eu negociei em R$ 3 mil. Aí me liberaram para buscar esse dinheiro para eles e eu não tenho esse dinheiro. Depois a Polícia Civil me localizou e me pediu a grana, como eu não tinha, pediram para falar tudo isso contra a PM e em troca eu estaria liberado de pagá-los”, contou.

Você também pode gostar