Policia

Pedofilia estimula abuso sexual

Motoristas foram abordados por blitzen educativas alertando sobre o problema    (Crédito: Emmanuel Franco)

 

IPATINGA – Pelo menos 54 crianças e adolescentes sofrem abusos sexuais por mês em Minas Gerais, num total de 1.970 nos últimos três anos. Este crime é um dos mais denunciados quando se trata da violação dos Direitos Humanos no Estado, segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).
Para combater essa prática e conscientizar a população, diversas organizações realizaram nesta sexta-feira (18), em todo Vale do Aço, atividades pelo Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
A Delegacia de Mulheres, responsável pelas apurações desse tipo de crime, este ano deu ênfase à pedofilia, que não é considerada crime pelo Código Penal Brasileiro e sim uma doença. A delegada Lívia Ataíde considera que apesar de a pedofilia ser uma doença, ela estimula a prática criminosa e a impunidade. “O pedófilo pode ser preso sim, pelo crime de estupro de vulnerável, porque só de constranger uma criança ou um adolescente sem conjunção carnal já configura o crime de estupro”, explica a delegada.
A Delegacia de Mulheres em Ipatinga não possui números de inquéritos instaurados sobre o abuso e a exploração sexual infantil, mas, na maioria dos casos, a vítima é abusada por pessoas do convívio familiar. Segundo a delegada, ainda há muito medo por parte da família em denunciar esse tipo de caso. “O silêncio é o principal fator que colabora para a impunidade deste tipo de crime. Geralmente a pessoa que abusa de uma criança está acima de qualquer suspeita: é um padrasto, pai, um tio e aí a família tem uma certa resistência em oferecer informações para a polícia com medo de punir esse agressor”, expõe Lívia.

SINAIS
Muitos pais não conseguem detectar quando uma criança está sendo vítima de abuso sexual. Para isso, segundo a policial, é preciso ficar atento principalmente ao comportamento psíquico da criança. Geralmente a vítima perde a confiança nela própria, no agressor e nas pessoas do sexo do agressor, demonstra sentimentos de culpabilidade, baixa auto-estima e vergonha. Há uma mudança súbita no comportamento (agressividade), dificuldade de aprendizagem, de concentração e isolamento.
Outro sinal apontado pela delegada é que a criança vítima do abuso sexual apresenta uma idade sexual incompatível com a idade cronológica. “Eu percebo que as meninas de 9, 10 anos, vítimas de abuso, já começam a desenvolver seios, menstruam. E isso tudo são sinais de que a criança está sendo vítima de um abuso. Às vezes, até pré-disposição ao suicídio”, relata a delegada, acrescentando que é importante os pais ensinarem para a criança como é o corpo dela. “Do mesmo jeito que os pais ensinam o filho a andar, a comer, tomar banho, eles também têm que ensinar a criança a conhecer o seu próprio corpo”, finaliza a delegada.

“Proteja Nossas Crianças” promove conscientização
Ipatinga
– Milhares de pessoas passaram por blitzen e receberam os panfletos e adesivos educativos alusivos ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, nesta sexta-feira (18), no Vale do Aço. A iniciativa foi da Secretária de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), do Sindcomércio (Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Bens e Serviços do Vale do Aço) e da Polícia Militar, que desenvolvem a “Campanha Proteja Nossa Crianças”. O objetivo é envolver a sociedade no enfrentamento às violências doméstica e sexual (abuso e exploração), contra crianças e adolescentes, além de estimular ações educativas e denúncias de casos de violência pelo telefone 0800 031 1119. A denúncia é sigilosa, e a ligação gratuita.
Em Ipatinga duas das blitze aconteceram na esquina da avenida livramento com rua Fortaleza, no bairro Veneza, e na avenida Macapá, já no Novo Centro, onde alunos do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e representantes de outras entidades foram os responsáveis pela distribuição dos panfletos e adesivos, além de sacolas de lixo para carros. Ainda ocorreram blitzen nos bairros Bom Jardim, Canaã, Iguaçu, Bom Retiro, Centro, Esperança, Caravelas e Cidade Nobre.
Em Coronel Fabriciano, motoristas e motociclistas foram abordados nos primeiros semáforos da Avenida Magalhães Pinto, no Bairro Giovaninni. “Nosso objetivo foi alcançado: milhares de pessoas do Vale do Aço foram conscientizadas e orientadas a denunciar os casos de abuso e exploração sexual que porventura tomarem conhecimento”, comemorou Mauro Nunes, diretor regional da Sedese. Ele ressaltou a necessidade de alertar pais, familiares e o público em geral, de maneira que adotem medidas preventivas, uma vez que é comum que casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes aconteçam na própria família ou entre amigos muitos próximos. “Precisamos informar a população para que todos saibam onde e como denunciar”, complementou Mauro Nunes.


Para delegada, o silêncio ainda é o principal fator que colabora com a impunidade

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