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Para Luiz Carlos, Usiminas ameaça a sobrevivência da Consul

IPATINGA – Criada a partir da necessidade de atender a demanda gerada pelo crescente número de funcionários da siderúrgica ipatinguense, a Cooperativa de Consumo dos Empregados da Usiminas Ltda (Cônsul), cumpriu por muitos anos um importante papel em todo Vale do Aço – garantir alimentos de qualidade para uma cidade em franca expansão.
Hoje, a Consul é a única cooperativa ipatinguense realmente capaz de competir com as grandes redes de supermercado.
Além de contribuir com a elevação do nível dos empregos na região já que garante certos benefícios para seus mais de 700 trabalhadores diretos como plano de saúde, gratificações, acesso a clubes entre tantos outros, a Consul garante também a elevação da qualidade dos produtos e gera uma arrecadação para o estado muito superior a todos os outros supermercados juntos na região – 60% de todo ICMS arrecadado com supermercados e hipermercados em Ipatinga é recolhido da Consul.
Porém, nossa Cooperativa está com a sua sobrevivência ameaçada. Quando foi construído o Shopping do Vale, o então presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares, garantiu o terreno onde hoje funciona o maior supermercado da Consul. Na época, era importante para garantir a abertura de um bom supermercado naquele novo centro de compras, ainda desacreditado. Porém, a atual direção da Usiminas que mesmo depois de mais de dois anos de gestão não consegue demonstrar real interesse em contribuir com o desenvolvimento da cidade, anunciou que a Consul deveria desembolsar 28 milhões de reais pela área ou abandonar o local que deverá ser vendido a alguma grande rede de supermercados de fora.
Com uma série de compromissos assumidos a longo prazo em função da loja que hoje funciona no shopping, a Consul provavelmente não conseguirá se manter financeiramente viável podendo dispensar todos os seus empregados, promovendo forte queda de arrecadação do setor na região e ainda deixando importantes projetos que antes eram mantidos pela Usiminas e que a Consul acabou assumindo para garantir suas sobrevivências como escolas de futebol, vôlei e judô, o zoológico da Usipa e muitos outros.
Para o ex-presidente do Sindipa e presidente licenciado da Força Sindical, Luiz Carlos Miranda, é fundamental que as lideranças políticas e setoriais de Ipatinga busquem intermediar junto à Usiminas uma solução para o impasse. “O problema da precarização da mão de obra é hoje um grave problema nacional em função da desindustrialização.
Em Ipatinga esse é um problema ainda maior pela dependência que a cidade tem da Usiminas. E a empresa não pode continuar contribuindo negativamente com esse processo. É preciso mais sensibilidade com os trabalhadores e toda nossa cidade que precisa de boas iniciativas e ações agregadoras para se reerguer”, concluiu Luiz.

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