Policia

Mulher que ligou PC a caso de jovens desaparecidos é executada

Rafaela contou o que viu sobre o desaparecimento; quando deu seu depoimento ao jornal, a foto não foi usada, porque ela temia retaliações

 

IPATINGA – A principal testemunha no desaparecimento de quatro jovens em fevereiro deste ano morreu assassinada na tarde de anteontem (1º). Rafaela Miranda de Jesus, 19 anos, estava em uma motocicleta junto ao seu companheiro A.M.A., 38 anos.
De acordo com o Boletim de Ocorrência da Polícia Militar, o casal passava próximo ao Panorama Hotel, quando uma moto Twister, cor escura, com a placa dobrada, e dois ocupantes, emparelhou com a sua moto. O carona sacou uma arma de fogo e efetuou vários disparos contra o casal. Rafaela foi ferida no pescoço e cabeça e morreu quando era socorrida pelo SAMU. O companheiro dela foi baleado no rosto e ombro e socorrido ao Hospital Márcio Cunha.

TESTEMUNHA
Rafaela era a testemunha-chave e ocular no caso do desaparecimento de quatro jovens no bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso, em fevereiro deste ano. Na época, a reportagem entrevistou a testemunha, preservando sua identidade. Já com medo de retaliações, ela contou que estava na casa com os garotos no dia do desaparecimento deles. Um homem teria parado na porta e se identificado como policial civil. “Ele mostrou a arma, disse que era policial civil e me pediu para que eu levantasse a blusa e depois me liberou”, relatou.
Ainda segundo a testemunha, minutos depois um carro preto, também da Polícia Civil, teria parado na porta. Dois homens desceram. Eles teriam entrado na casa, amarrado e levado os jovens. “Vi quando eles colocaram os rapazes no porta-malas do carro e não vi para onde foram”, relatou a jovem em seu depoimento.

INQUÉRITO

Assim que o assunto dos jovens desaparecidos virou alvo das manchetes dos jornais, um inquérito policial foi instaurado a fim de averiguar o caso. Rafaela chegou a ser ouvida pela delegada responsável pelas investigações, Amanda Sfredo. No entanto, as apurações da policial não seguiram em frente, porque a Corregedoria da Polícia Civil, em Belo Horizonte, assumiu o caso.
A policial disse que ouviu familiares, realizou diligências, mas no dia 19 de março a Corregedoria da Polícia Civil instaurou um inquérito policial. “É um procedimento normal da Corregedoria quando há denúncias de que algum policial esteja envolvido no caso”, esclareceu a policial, acrescentando que a polícia de Santana do Paraíso não conseguiu descobrir de onde seria a suposta viatura da PC vista pela testemunha.

COMPLICAÇÃO
Se antes o caso parecia ser de difícil solução, agora, com o assassinato da principal testemunha, o desaparecimento dos jovens pode ficar ainda mais distante de ser elucidado. Informações obtidas junto à Delegacia de Polícia em Santana do Paraíso deram conta de que a Corregedoria da Polícia Civil realizou pelo menos quatro diligências sobre o caso e que Rafaela já havia sido ouvida várias vezes pelos corregedores. Em uma delas, chegou a analisar por meio de fotos de policiais civis os possíveis autores do desaparecimento dos jovens.
O órgão ainda está dentro do prazo normal para concluir o inquérito. De acordo com a assessoria de comunicação da Corregedoria, uma equipe de corregedores está em Ipatinga para investigar se há relação entre o assassinato da testemunha com o desaparecimento dos garotos. A assessoria não confirmou se Rafaela chegou a reconhecer os policiais civis suspeitos de terem desaparecido com os jovens.

DESAPARECIMENTO
Os rapazes – conhecidos como Wesley, Luciano, Vitinho e Jonathan – teriam sido vistos pela última vez em uma casa no bairro Cidade Nova, fazendo uso de drogas, no dia 29 de fevereiro. Segundo testemunhas – uma delas Rafaela – os jovens que têm entre 13 e 19 anos foram abordados por pessoas que disseram ser policiais civis. Minutos depois, um carro caracterizado da Polícia Civil teria parado na porta, entrado na casa, amarrado e levado os jovens.

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