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Moro levanta sigilo de delação e reforça caráter político de prisão

Na semana da eleição, o juiz Sérgio Moro levanta sigilo de parte da delação de Antonio Palocci que prejudica candidaturas do PT; o advogado de defesa de Lula, Cristiano Zanin (foto), diz que decisão reforça caráter político da prisão de Lula

 

BRASÍLIA – A conduta adotada nesta segunda-feira (1) hoje pelo juiz Sérgio Moro na Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula.

No trecho da delação que teve o sigilo levantado, o ex-ministro diz que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ordenou, numa reunião realizada no Palácio do Alvorada no início de 2010, que o presidente da Petrobras, à época, José Sérgio Gabrielli, encomendasse a construção de 40 sondas e que dinheiro ilícito arrecadado com contratos da estatal serviriam para bancar a campanha presidencial da candidata Dilma Rousseff. Palocci relatou na delação que Lula, naquele encontro, encarregou-o de “gerenciar os recursos ilícitos que seriam gerados e o seu devido emprego na campanha de Dilma Rousseff para a Presidência da República”.

EFEITO POLÍTICO

Segundo o advogado de defesa de Lula, Cristiano Zanin, Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (“de ofício”), depoimento prestado pelo ex-ministro Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. “Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais”.

BENEFÍCIO

“Palocci, por seu turno – prossegue a defesa de Lula –, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena – 2/3 com a possibilidade de ‘perdão judicial’ – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias”.

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