Policia

Lemos entrega documentos e conversas gravadas ao MP

“Alguém tem que dar a cara a tapa”, diz Lemos

 

FABRICIANO – O presidente da Câmara de Fabriciano e delegado aposentado Francisco Pereira Lemos afirmou ontem (13) que apresentou provas “contundentes” sobre as denúncias de corrupção feitas contra a Polícia Civil, em especial o delegado regional João Xingó. Na segunda-feira, por mais de sete horas, Lemos prestou depoimento no Ministério Público de Ipatinga. Ele também foi ouvido pela Corregedoria da Polícia Civil.
Nesta terça-feira (13), o parlamentar voltou a falar com a imprensa, desta vez em um tom bem mais ameno do que o utilizado quando denunciou um esquema de propinas na PC com a conivência de Xingó. Ele não quis dar detalhes do depoimento de anteontem, mas garantiu que mostrou evidências que provam suas declarações. Segundo Lemos, são provas colhidas por ele ao longo dos anos. São conversas gravadas e documentos que comprovariam a corrupção dentro da PC. “E eu tive que explicar fato por fato. Eu tomei essa posição de denunciar em função da maioria dos policiais civis que me cobram e falam que a situação está incontrolável”, disse.
Por determinação do chefe da Polícia Civil de Minas Gerais, Jairo Léllis Filho, a Corregedoria da instituição instaurou procedimento investigativo para apurar as acusações.

POLICIAIS
O ex-delegado ainda mencionou que de todos os policiais civis que são lotados na Regional de Ipatinga, apenas três ou quatro especificamente da Delegacia de Coronel Fabriciano é que estariam participando do esquema de corrupção.
Lemos disse na semana passada que os delegados, a mando de João Xingó, recebem propina de traficantes para que os mesmos sejam libertados e que o dinheiro “arrecadado” estaria sendo dividido entre os chefes da Polícia Civil e Corregedoria. “E peço desculpas àqueles policiais que se sentiram ofendidos porque a minha intenção foi ajudar e fazer com eles continuem sendo respeitados no Vale do Aço. Eu não vou ofender as pessoas se eu não tenho provas contra elas”, afirmou.
Lemos ainda deverá ser ouvido mais uma vez pela Corregedoria e pelo Ministério Público.

REPÚDIO
Lemos criticou a nota de repúdio encaminhada à imprensa pela 1ª Delegacia Regional da Polícia Civil de Ipatinga, assinada por 15 delegados de Polícia Civil. Um trecho da nota diz que as acusações contra Xingó “não passam de politicagem”. “Eu tenho outros meios para conseguir uma projeção política melhor”, rebateu.
O ex-delegado disse ainda que se os delegados que assinaram o documento conhecessem o teor das denúncias, eles não tinham endossado a nota. “E ainda digo mais: a regional tem mais delegados do que apareceu na nota. Mas tenho certeza absoluta que se os policiais conhecessem a fundo as denúncias, eles não teriam assinado a nota de repúdio”, menciona.

HOMICÍDIOS

Lemos voltou a afirmar que está preocupado com a segurança pública na cidade de Coronel Fabriciano e novamente relacionou o aumento da criminalidade à corrupção dentro da PC. “Os delegados são competentes, mas por que os homicídios não são apurados? Eles apresentam à Justiça inquéritos tendenciosos para interesse próprio”, denuncia.
Quando questionado porque só agora resolveu denunciar possível esquema de corrupção, o ex-delegado disse que a situação chegou a um ponto insustentável. “Alguém tem que ter coragem de dar a cara a tapa. Nós sabemos de inquéritos aí que se pegam as provas do verdadeiro autor, deixam de lado e o policial vai lá conversar com autor e ver com ele se tem dinheiro para pagar para que as provas não apareçam nos autos das investigações. Aí o dinheiro faz com que o criminoso fique na rua”, finaliza.

Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para investigar denúncias: órgão acompanhou depoimento de Lemos ao MP

Suposta vítima de tortura teria sido o estopim das denúncias
Fabriciano
– O fato que culminou nas graves denúncias feitas pelo ex-delegado Francisco Pereira Lemos foi uma suposta tortura sofrida pelo soldador Natanael Alves de Abreu, 25 anos, em fevereiro deste ano.
Em sua primeira versão, o rapaz disse à reportagem que foi agredido por PMs, que chegaram a ser indiciados pela Polícia Civil de Coronel Fabriciano. Alguns dias depois, o jovem mudou a versão dos fatos diante da imprensa e afirmou que nada do que havia dito ocorreu e confessou que a história foi armada por policiais civis.

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