Cidades

Keisson priorizou qualidade na saúde e limpeza pÚblica

TIMÓTEO – Quando ganhou as eleições municípios em 2012, o vereador Keisson Drumond (PT) tinha apenas uma visão parcial de como receberia a Prefeitura de Timóteo. Os problemas orçamentários e na área da saúde da gestão do ex-prefeito Sérgio Mendes (PSB) já eram públicos.
Em entrevista ao DIÁRIO POPULAR, o chefe do Executivo falou sobre as dificuldades em lidar com o bloqueio de verbas públicas como o Fundo de Participação dos Municípios (FMP) e até mesmo com o atraso na folha de pagamento do funcionalismo público. Confira a entrevista:


DIÁRIO POPULAR-
Como você avalia as condições em que recebeu o município na transição de governo?
KEISSON – Recebemos a Prefeitura em uma situação muito difícil. Eram problemas na área da limpeza pública com a suspensão da coleta de entulho por quase cinco meses. As ruas também estavam cheias de sacos de lixo pela suspensão da coleta domiciliar por 20 dias antes da transição de governo. Foi muito difícil colocar as coisas em ordem. As dívidas somavam quase R$ 170 milhões – e as não empenhadas R$ 25 milhões. Colocamos a casa em ordem e conseguimos quitar os pagamentos que estavam atrasados.

DP – Em quatro meses de mandato, o que foi possível solucionar?
K – Tivemos muitas conquistas nesses primeiros 100 dias de governo, como a construção da Praça de Fundo de Vale, reduzir os gastos com o custeio da máquina pública em R$ 14 milhões, comprar dois ônibus para o transporte escolar, economizar no aluguel da frota de veículos. Na área da saúde, expandimos as equipes do PSF de três para treze, reformamos o Posto de Saúde de Timotinho, realinhamos os investimentos do Setor de Obras Públicas em R$ 900 mil de financiamentos que estavam pendentes. Ainda quitamos 30% das dívidas com fornecedores. Garantimos R$ 2 milhões do PAC para a praça no bairro Novo Tempo, a liberação da quadra coberta no Recanto Verde, orçada em R$ 50 mil e ainda a ciclovia entre os bairros Santa Maria até o Alphaville.

DP
– Quais os maiores gargalos na área da saúde pública e como pretende solucionar o problema?
K – Temos que pagar as contas deixadas pelo governo anterior, que usou verbas carimbadas de convênios com o governo federal para outros fins. Criaram unidades de saúde demais no município sem necessidade. Só para comparar, em Belo Horizonte são 23 unidades de saúde para uma população de 3 milhões de pessoas. Aqui temos 18 unidades e a Prefeitura não dá conta de contratar pessoal para todo esse aparato. Precisamos ainda otimizar os atendimentos da atenção básica. O Pronto Atendimento do bairro Olaria é mantido com recursos próprios, que consomem por mês R$ 780 mil. Esse dinheiro deveria ser revertido nas unidades de saúde, por isso estamos estudando uma forma de o Ministério da Saúde custear essas despesas. Diferente das outras gestões, não vamos promover a gestão compartilhada na unidade do João Otávio. A falta de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes de saúde e de endemias serão resolvidas com a seleção pública que está em andamento. Outra grande conquista é a liberação pelo governo federal da construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Primavera. Essa já tem o custeio garantido tanto do Estado como da União.

DP – Qual a prioridade de seu governo para os próximos dois meses?
K – A questão emergencial é o combate à dengue, por isso estamos programando a limpeza nos córregos e ribeirões do município. Temos que lidar com a remoção do asilo Sodalício Tio Questor e o seu alojamento em outro local em função da construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Para a saúde temos a implantação de uma unidade de saúde no bairro Macuco e a inauguração da reforma no Timotinho, que foi feita com recursos próprios. Outra importante ação é a retomada das obras no estádio Iorque José Martins.

Timóteo mantém o equilíbrio entre a produção siderúrgica e o ecoturismo
Timóteo está situada no Leste de Minas Gerais, na região do Vale do Aço. Possui uma área de 144 km², tendo suas terras banhadas pelos rios Piracicaba e Doce. A principal atividade econômica é a siderurgia. Em seu território está instalada a usina da Acesita – Companhia Aços Especiais Itabira.

O município, de 78.240 habitantes, fica a 200 quilômetros de Belo Horizonte. O acesso para quem vem da capital mineira se dá pelas rodovias 262 e 381, ou pela MG 760. São aproximadamente 200 quilômetros.
Timóteo integra a Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) junto com Ipatinga, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso e outras 26 cidades que compõem o Colar Metropolitano da RMVA. Timóteo é uma cidade basicamente urbana, apesar de ter metade de sua área ocupada pelo Parque Estadual do Rio Doce.

A história da cidade se confunde com a da Acesita, maior empresa siderúrgica de aços especiais da América Latina. Em 2004, município e empresa se uniram para comemorar 100 anos de desenvolvimento – 40 anos de emancipação política da cidade e 60 anos de instalação da siderúrgica.

Índices
Timóteo tem hoje um dos menores índices de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD) do País. A cidade ostenta o indice de 0.58, o que representa (em média) que uma criança timotense aos 12 anos terá menos de um dente cariado, perdido ou obturado. Este índice é menor do que o verificado no levantamento feito em 2001 (0.64), e bem abaixo do que preconiza a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera como ideal o índice de 1.0 para o ano de 2010.

O município também está se preparando para tratar todo o seu esgoto (projeto VIDA – que vai retirar e tratar o esgoto dos córregos e devolver água limpa à natureza) e executar obras nos fundos de vale, através de concurso aberto para todos os arquitetos e empresas do Brasil.

Parque Florestal
Timóteo é o Portal para o Parque Estadual do Rio Doce (PERD) – reserva da biosfera com 36 mil hectares, que tem a maior área contínua preservada de Mata Atlântica do Estado de Minas Gerais. O PERD abriga cerca de 400 espécies de aves, outras dez mil espécies botânicas, além de espécies ameaçadas de extinção como o mono-carvoeiro, a onça-pintada e o macuco.

São 42 lagoas, onde é possível encontrar 17 espécies de peixes. A maior e mais bonita é a Dom Helvécio, com mais de seis quilômetros quadrados e profundidade de mais de 32 metros. O PERD é um dos três maiores sistemas de lagos que ocorrem no Brasil, juntamente com o Pantanal Mato-grossense e o sistema Amazônico.

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