Policia

Justiça não cumpre prazo e principal acusado é solto

Cléverson estava preso há seis meses e teve a prisão relaxada depois que a justiça não cumpriu o prazo legal para ouvir todas as testemunhas

 

FABRICIANO – Foi posto em liberdade na tarde desta sexta-feira (16) por força de um mandado judicial expedido pela juíza da Comarca de Coronel Fabriciano, Beatriz Vailante, Cléverson Elias Nascimento, 26 anos, preso em setembro do ano passado acusado de matar um casal, fato conhecido como “Crime da Biquinha”.
Cléverson estava preso há seis meses e teve a prisão relaxada depois que a justiça não conseguiu cumprir o prazo legal (120 dias) para ouvir todas as testemunhas. Ainda faltam depoimentos de pessoas importantes no caso, como policiais civis e militares. O acusado irá agora responder ao processo em liberdade.
O advogado de defesa Tiago Xavier explica que a decisão foi tecnicamente processual e que no momento não se discute a inocência ou culpabilidade do suspeito. O advogado explica que os prazos a serem seguidos pelo Código de Processo Penal estão vencidos. “Desta forma, a prisão fica ilegal, gerando um constrangimento ao acusado. A decisão foi em cima disso”, esclareceu.

FALHAS
Sobre a autoria do crime, a defesa de Cléverson entende que ele está servindo de “bode expiatório”, uma vez que segundo o advogado, o inquérito é falho e não há provas contundentes, mesmo que a acusação tenha sido baseada na confissão dele. “Mas, em torno desta confissão existem outras teorias e provas que deverão ser confrontadas com a confissão e que ainda não o foram, já que não se encerrou a instrução processual, cabendo ao judiciário ouvir mais testemunhas”, argumentou.

INOCÊNCIA
Cléverson foi preso nas proximidades do Posto Cristal, na subida do morro da Usipa. Segundo as investigações, a arma que foi encontrada com ele não é a que foi utilizada no duplo homicídio. No entanto, na Delegacia de Fabriciano, o suspeito confessou ter usado uma garrucha calibre .32, apreendida pela Polícia Civil na sequência das investigações.
Quando foi detido, Cléverson disse que fazia uso de drogas nas proximidades de onde as vítimas passaram caminhando. No dia de sua prisão, o acusado deu detalhes de como cometeu o crime. Para o advogado, Cléverson teria contado que apenas presenciou a cena. “Ele sempre negou desde o início, apesar da confissão dele na delegacia com a sua assinatura. Mas, em torno desta confissão existem várias irregularidades, como por exemplo o fato dela não ter sido acompanhada por um advogado e, posteriormente, iremos entrar neste mérito”, afirmou.
Junto com o alvará de soltura expedido pela justiça foi aplicada uma medida cautelar, pela qual Cléverson se responsabiliza a comparecer quando for chamado em juízo. O acusado será submetido a um interrogatório no dia 26 de março.

DESFECHO
Com a soltura de Cléverson, os principais acusados de cometerem o Crime da Biquinha estão em liberdade.
Os corpos de José Carlos e Márcia Barbosa foram encontrados no dia 16 de agosto. Cada uma das vítimas recebeu um tiro na nuca. Eles estavam num matagal próximo a uma trilha usada para caminhadas.
Além de Cléverson, Anatólio Fernandes da Silva, 69 anos, foi preso acusado como comparsa de Cléverson, mas, em uma acareação, ele negou tudo. Mesmo assim, o delegado Daniel Araújo solicitou a prisão temporária do suspeito, que acabou sendo solto no dia 7 de outubro.


O advogado de defesa Tiago Xavier: “No momento, não se discute se o acusado é inocente ou culpado”

 

A vítima José Carlos e Márcia, também alvejada na nuca

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