Cidades

Ipatinga suspende Corujão por falta de repasses do governo

Atrasos e dívidas do Estado, que chegam a R$ 45 milhões obrigam o município a suspender temporariamente atendimentos noturnos nas Unidades Básicas de Saúde

 

IPATINGA – A partir desta segunda-feira (17), os atendimentos médicos ampliados na rede pública de Saúde de Ipatinga, por meio do Programa “Corujão da Saúde”, serão suspensos temporariamente. A medida é uma contenção de despesas necessária, forçada diretamente pela falta de repasses de verbas por parte do Governo do Estado de Minas Gerais ao município de Ipatinga. Somente na área da saúde, o Governo Estadual deve cerca de R$ 45 milhões.

Desde a sua criação, em junho de 2017, o Corujão da Saúde é custeado com recursos próprios do município, dentro do que a Lei estabelece para ser gasto com a área da saúde, que é de 15% do orçamento total. Contudo, segundo a Secretária Municipal de Saúde, Érica Dias Souza Lopes, “como o Governo de Minas não está repassando os recursos estaduais e, ainda por cima, retém os recursos federais que vêm por meio do Ministério da Saúde, temos que realocar recursos próprios para outras áreas prioritárias, como urgência e emergência, o que compromete decisivamente o Corujão”, explica.

TRAGÉDIA ANUNCIADA

O prefeito Nardyello Rocha tem buscado um diálogo constante com Estado de Minas Gerais nos últimos meses, visando um acordo para o pagamento das dívidas. Somadas as áreas de Saúde e Educação, o valor acumulado já chega a R$ 78,5 milhões.

“A suspensão temporária do Corujão da Saúde, infelizmente, é uma tragédia anunciada. Tenho dito em minhas falas que essa irresponsabilidade por parte do Governo Estadual, de não fazer de forma correta os repasses, acabariam por atingir diretamente a população. Tivemos que cortar o Corujão e, se continuar desta maneira, em breve ficará comprometido também o salário do professor, uma vez que 60% da folha deles devem ser pagos com recursos do Fundeb, que também não estão sendo repassados”, alerta o chefe do Executivo.

ALTERNATIVAS

Apesar da suspensão do serviço, o prefeito Nardyello Rocha tranquiliza a população. Segundo ele, nenhum paciente que precisar das Unidades Básicas de Saúde ficará sem atendimento, uma vez que, nesta atual gestão, tem sido realizado um trabalho de fortalecimento das UBS’s.

“Antevendo essa situação e prevendo os impactos causados, nós, como gestores, buscamos estruturar as UBS’s, contratando mais de 60 profissionais da área da saúde e garantindo pelo menos um médico em cada unidade, para que o consequente aumento dos atendimentos no horário de expediente normal, das 7h às 16h, não causasse prejuízos a população”, concluiu o prefeito.

A secretária de Saúde orienta ainda quanto aos atendimentos da UPA. “A população precisa estar ciente de que na UPA continuarão sendo atendidos apenas casos de urgência e emergência, ou seja, pacientes que sofreram acidente de trânsito ou no trabalho; com crises cardíacas, ou respiratórias; desmaios, AVC’s, sufocamento e crises asmáticas; com fraturas, traumas e cortes profundos ou com queimaduras de 2º e 3º graus”.

PROGRAMA

O programa ‘Corujão da Saúde’ realizava atendimentos em horário estendido – das 16h às 22h – em cinco Unidades Básicas referenciadas (Caravelas, Bom Jardim, Bethânia, Veneza e Cidade Nobre). O acolhimento dispensava a necessidade de agendamento para pacientes em situação de não urgência, levando-se em conta o estado de saúde de cada pessoa.

De março a junho deste ano, em meio ao alto índice de casos de dengue, zika chikungunya, as cinco Unidades Básicas do “Corujão da Saúde” chegavam a realizar cerca de 100 atendimentos diários em cada, somando aproximadamente 500 pacientes por dia.

A Secretária de saúde destaca, ainda, que a reativação dos Corujões da Saúde depende diretamente da regularização dos repasses que estão em atraso por parte do governo estadual.

 

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