Cidades

Ipatinga quer casa de apoio à mulher vítima de violência

Segundo dados apresentados na audiência, aproximadamente 65% das mulheres já sofreram algum tipo de violência   (Crédito: Willian Dias/ALMG)

 

IPATINGA – A presidente do Conselho Municipal da Mulher de Ipatinga, Elmina Ferreira, apresentou um dado alarmante aos deputados da Comissão Especial da Violência contra Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais: a instituição recebe, todos os meses, cerca de 50 denúncias de agressão contra mulheres. O número, para ela, ainda é muito inferior à realidade, tendo em vista que as mulheres têm medo de procurar o conselho e a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Idoso e Criança, que existe na cidade. As denúncias foram feitas na audiência pública da comissão, realizada nesta segunda-feira (28), na Câmara Municipal de Ipatinga, com o objetivo de contextualizar a realidade da violência contra a mulher na região.
Elmina contou que o desafio é criar uma equipe especializada para atender as vítimas e uma casa de apoio que preste assistência a essas mulheres na cidade. Ela fez uma cobrança às autoridades que participaram da reunião, que é preciso tirar do papel as políticas públicas que defendem os interesses das mulheres.
A delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Idoso e Criança de Ipatinga, Lívia Athaíde Oliveira, lembrou que a violência não escolhe classe social, religião ou raça. Segundo ela, aproximadamente 65% das mulheres já sofreram algum tipo de violência, seja física, moral, psicológica ou patrimonial na região. Ela lamentou que a delegacia ainda é carente de servidores e, por isso, muito casos ficam escondidos por falta de atendimento. A delegada explicou que a mulher não permanece na situação de violência porque quer, mas por fatores que a inibem, tais como financeiros e sociais. “Muitas nos procuram querendo medidas protetiva e não penais, por entenderem que os agressores são trabalhadores, pais dos seus filhos e não devem ser presos”, disse.
Ainda em sua participação, Lívia Athaíde pediu apoio do poder público para que seja criada uma equipe específica de atendimento à mulher vítima de violência no Vale do Aço, assim como uma casa de apoio que trabalhe em conjunto com o sistema de saúde e o Poder Judiciário.

ESTRUTURA DEFICITÁRIA
O promotor de Justiça da comarca de Ipatinga, Samuel Saraiva Cavalcanti, disse que é preciso haver uma conscientização das mulheres para importância das denúncias de agressão, já que a maior parte delas ocorre nas residências. Ele reforçou que a região é carente em termos de profissionais especializados e, por isso, o atendimento é deficitário. “O Poder Judiciário precisa de uma Vara Criminal específica para tratar da violência doméstica. Infelizmente, nossa estrutura para este tipo de atendimento ainda deixa muito a desejar”, lamentou.

Comissão representa avanço, diz deputada
Ipatinga
– A deputada Rosângela Reis (PV), autora do requerimento que pediu a reunião, destacou que a comissão representa um avanço no trabalho de diagnóstico da situação da violência contra a mulher em Minas. Para ela, as ocorrências são muitas e o maior número dos casos acontecem dentro de casa e são camuflados pelo medo. “Temos o exemplo recente de uma arquiteta que morreu em Ipatinga vítima de violência do ex-marido”, disse.
A deputada apresentou três requerimentos solicitando providências sobre a violência contra a mulher. O primeiro pede ao Tribunal de Justiça do Estado, agilidade na instalação de uma Vara Criminal Especializada para atender casos de violência contra a mulher no Vale do Aço. O segundo solicita ao delegado regional da Polícia Civil, Gilberto Simão de Melo, e ao comandante da Polícia Militar, cel. Geraldo Guimarães, informações sobre dados estatísticos referentes à violência doméstica e familiar contra a mulher no Vale do Aço. O último pede ao secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz, ao secretário de Desenvolvimento Social, Cássio Soares, informações sobre os valores de recursos investidos pelo Estado em ações de enfrentamento à violência doméstica e familiar em Minas e no Vale do Aço.

 
                                                                          DADOS ALARMANTES
De acordo com estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a cada quatro minutos uma mulher é agredida por uma pessoa com quem ela tem relação de afeto. Números da CPMI do Congresso Nacional mostram que cerca de quatro mil mulheres são assassinadas por ano no Brasil. Em Minas, segundo o Ministério da Justiça, quatro mulheres são mortas a cada grupo de 100 mil, e, em Belo Horizonte, 98% das ocorrências de lesões sequer se transformam em registro de agressões.

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