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Feira do Doce Mineiro reúne 11 mil pessoas em Ipatinga

IPATINGA – Durante dois dias de evento, Praça Daniel Campos Rabelo, no bairro Cariru, foi palco de extensa e diversificada programação gastronômica e cultural, envolvendo público da região do Vale do Aço, da capital federal (Brasília), Recife e Rondônia

Doces de leite, pé de moleque, abóbora com coco, bananada, rocambole, doces cristalizados, queijadinha, brigadeiro, ambrosia, ameixa de queijo e derivados de jabuticaba. Essas foram algumas das iguarias que o público conferiu na 2ª edição da Feira do Doce Mineiro, realizada no último final de semana, em Ipatinga, no Vale do Aço.

FEIRA

Ao todo, durante os dois dias de intensa programação gastronômica e cultural, a Praça Daniel Campos Rabelo, no bairro Cariru, foi movimentada por 11 mil pessoas da cidade, de regiões próximas, como Governador Valadares, Manhuaçu, Caratinga, Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso, além de visitantes vindos de Belo Horizonte, Recife, Rondônia e Brasília. Como foi o caso do comerciante, Denis Munis de Carvalho, que chegou diretamente da capital federal, para prestigiar o evento e conhecer os seus 20 expositores. “Sempre tive uma paixão por doces e não poderia deixar de participar desse grande encontro. Afinal, ninguém faz doces melhores que os mineiros, o estado é o verdadeiro celeiro dessas delícias. Tive a oportunidade de ter acesso a doces que nunca havia experimentado e, sobretudo, conhecer pessoas que são apaixonadas pelo que fazem. Cheguei na cidade com uma expectativa e saio muito mais surpreso. Não esperava tanta qualidade em um só evento. No ano que vem quero voltar e trazer toda a minha família para desfrutar desse ambiente tão agradável”, comemora.

FESTA

Assim como Denis, a professora Maria das Graças Carvalho, de Ipatinga, foi só elogios ao evento. Acompanhando a feira desde sua primeira edição, ela destaca: “A Feira do Doce Mineiro é uma festa, reúne pessoas que realmente se interessam pela culinária mineira. Nossa cidade ainda é muito carente de projetos como esse então é preciso prestigiar para que possamos ampliar essas iniciativas”.

Quem também comemora o sucesso dessa segunda edição, é a coordenadora do evento, Isabella Ribeiro. Segundo ela, a Feira do Doce Mineiro é um caminho sem volta. “Estamos muito satisfeitos com o resultado alcançado. Reunimos doces das mais variadas regiões de Minas, cidades que estão à 900 km de Ipatinga e isso não tem preço. Os produtores têm apostado cada vez mais no evento e com isso estamos nos tornando a maior feira do doce de Minas Gerais. A feira já faz parte do calendário da cidade e tem um grande potencial para fomentar a cultura e o turismo local. Sem contar a oportunidade ímpar de movimentarmos os negócios da cidade e principalmente valorizar a cultura do doce. Falamos muito da gastronomia mineira, mas pouco se fala efetivamente dos doces que são produzidos em nosso estado e é essa bandeira que desejamos levantar”.

GASTRONOMIA

Para a próxima edição, em 2019, Isabella deseja continuar apostando em novidades, mas sem perder a característica fundamental da feira, que é sempre ter o doce como norte. “Este ano tivemos algumas novidades como um número maior de expositores; a ampliação do “Cozinha ao Vivo” com a participação de grandes chefs, como Carol Fadel, Loraidan dos Anjos, Edson Puiati, Anderson Oliveira, Mariana Gontijo e a mestra quitandeira Ângela Resende; além do espaço do conhecimento em que propomos vários debates acerca do jornalismo gastronômico. Estamos a cada edição nos reinventando para proporcionar ao público um grande evento”, sublinha.

A voz de quem faz acontecer

 

Participando da Feira do Doce Mineiro pela segunda vez, Maria José de Lima Freitas, proprietária da Mazé Doces, só tem a agradecer os bons negócios gerados. “A primeira edição foi ótima, mas essa foi sensacional, uma experiência fantástica porque viemos com uma expectativa de negócios e fechamos parcerias além do que esperávamos. Quanto às vendas também nos surpreendemos. Vendemos todos os nossos doces cristalizados e eu nem sabia que o pessoal da região gostasse tanto assim desses doces. As caixas com doces sortidos, por exemplo, esgotaram rapidamente”, diverte-se.

Mazé ainda destaca que eventos como a Feira do Doce Mineiro são muito importantes para todo o segmento doceiro. “A ideia dessa feira é incrível para todos da área, nosso setor estava bastante esquecido. Isso vai fortalecer os produtores e incentivá-los, mostrando que temos força, que temos poder como profissionais da área. O problema de estarmos perdendo a cultura em doces é que os doceiros atuais se cansam, não enxergam isso como um negócio próspero e deixam de passar essa tradição para seus filhos. Fazer doce é uma arte, é um dom que recebemos e temos que passar para nossos sucessores porque senão isso tudo vai se perder, daqui a pouco não se faz um doce caseiro de qualidade mais”, explica.

ROCCA

Raphael Figueiredo, sócio-proprietário do Doce de Leite Rocca, localizado no Sul de Minas, avalia que, apesar da longa distância da fábrica até Ipatinga, tudo valeu muito a pena. “Essa foi nossa primeira experiência na feira e vendemos quase todos os nossos produtos, o doce de leite com café, por exemplo, fez um grande sucesso. Por estarmos muito afastados da região, muitas pessoas ainda não nos conheciam, então a feira foi uma vitrine para nós. Fizemos vendas até no atacado e parcerias que vão se consolidar muito em breve. Estamos muito satisfeitos com o retorno obtido e, principalmente, com o apoio que tivemos de toda a organização”, avalia.

 O CAIPIRA

Para valorizar ainda mais a programação gastronômica, Jeferson Murta Moreira, proprietário de uma das lojas “O Caipira” de Teófilo Otoni, apresentou um ingrediente bem famoso da nossa culinária e que associa como ninguém a um paladar doce, o verdadeiro queijo mineiro. “Participamos com o queijo cozido –  uma mussarela típica da região do Vale do Mucuri e Vale do Jequitinhonha -, o queijo cabacinha – feito em grande escala na região e muito saboroso – , uma variedade de queijos da Serra do Canastra, além de biscoitos e manteiga de garrafa. Como visitante já participei de inúmeras feiras, mas nunca com a qualidade apresentada na Feira do Doce Mineiro. Estou surpreso com a organização, o espaço físico, a qualidade dos doces participantes. Com certeza essa é a primeira de muitas feiras que estaremos presentes”, afirma.

O rocambole de Lagoa Dourada e a ambrosia de Araxá reforçam ainda mais o sucesso da feira, já que esgotaram na tarde do segundo dia de programação.

 

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