Cidades

Em Ipatinga, vice de Bolsonaro diz que polícia vive pior dos mundos

“Direitos humanos são para os humanos direitos”, diz general Mourão durante palestra em Ipatinga

 

(DA REDAÇÃO) – O candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) general Mourão esteve nesta terça-feira em Ipatinga onde fez palestra sobre segurança em evento de lançamento da candidatura de Alê Silva, que disputa vaga na Câmara dos Deputados. No evento, realizado no Ipaminas Esporte Clube, o general foi recebido com honras militares por soldados do Corpo de Bombeiros e falou para um público de policiais, empresários, políticos e jovens apoiadores da candidatura de Bolsonaro, que se manifestavam em ovações e brados a cada vez que seu nome era citado. Mourão chegou acompanhado de Alê Silva e do delegado Francisco Pereira Lemos.

MUNDO CONTURBADO

Mais em tom de palestra do que de campanha política, Mourão começou falando sobre as potencialidades do Brasil num mundo cada vez mais conturbado pelas crises e disparidades econômicas, acentuadas pelo desenvolvimento tecnológico. “Não existe mais um mundo tranqüilo e bucólico numa realidade em que a informação está presente no cotidiano das pessoas e chega muito rapidamente. É um progresso tecnológico que cada um leva no bolso para se comunicar e também para bisbilhotar a vida alheia”, brincou, provocando risos. “As distâncias diminuíram e um simples clic muda a nossa vida”.

Conforme Mourão, neste mundo moderno, convive-se com os EUA que tem um gasto de 620 bilhões de dólares com armamentos, a Rússia querendo exercitar sua musculatura, a China buscando novos mercados no mundo, a Europa sofrendo com a imigração provocada pelas guerras e pela crise econômica. O general aproveitou a deixa para falar da crise aberta com a imigração de venezuelanos na fronteira com Roraima, mas não chegou a fazer nenhum discurso xenófabo. Disse que a crise venezuelana foi provocada por governos que destruíram a economia em nome da construção do socialismo no terceiro mundo e que a crise naquele país é pior do que no Brasil, pela falta de gêneros de primeira necessidade e pela inflação. “Esta crise é que provoca a imigração. Os ricos foram para os EUA. A classe média para Colômbia e os pobres para o Brasil”, disse, para criticar a inércia do governo brasileiro, que “deixou de governar desde que foi flagrado nas gravações da JBS”.

FRONTEIRAS

Mourão que comandou tropas brasileiras em missões da ONU em diversos países disse que o Brasil faz fronteira com os maiores produtores de drogas do mundo como Peru, Bolívia e Colômbia. “O Paraguai está tentando se acertar e o Uruguai é um país com o qual temos relações cordiais”, avaliou.

Mourão destacou o tamanho dos problemas que o país enfrenta citando grandes números. “Temos um país portentoso de 8,5 milhões de km2; 16 mil km de fronteiras com 9 países, 7,5 mil km de litoral que produz muita coisa para se explorar e para ser defendida. Os EUA tem apenas 2 vizinhos e tem inúmeros problemas. Imaginem o Brasil”, ilustrou.

CRISE DOS PODERES

Para Mourão, o Brasil vive uma crise política que também é uma crise policial. “O sistema político deixou de nos representar e nós deixamos de votar e colocar no poder corretamente quem vai trabalhar para o povo”, pontificou para concluir que o conceito de direita e esquerda é um equívoco. “Os dois campos estão abraçados na corrupção”, afirmou, asseverando que a crise política atinge os três poderes. E exemplificou:

– No Executivo, temos um governo com 30 ministérios. Nenhum comandante consegue controlar nem 12. São ministérios que só servem para colocar seus apaniguados e depois desviar tudo. O Legislativo foi comprado pelo Executivo para se manter no poder. Foi o que aconteceu nos 12 de PT no poder, que rompeu com o princípio da alternância – disse Mourão, esquecendo-se de que Dilma Rousseff foi cassada, entre os outros motivos, por não fazer o jogo do Poder Legislativo.

Quanto ao Judiciário ele disse que o País poderia ser regido por uma Constituição com menos princípios e mais leis ordinárias. Afirmou ainda que a Constituição criou muita despesa sem definir a receita. “Se não há lei a sociedade se esfacela”, sentenciou, afirmando que é preciso resgatar a confiança nos poderes constituídos. “No Brasil, a única lei que pegou foi a lei de Gerson”, alfinetou. Para o general, a solução é reformar o pensamento da sociedade por meio da educação.

ECONOMIA

Mourão criticou a política econômica dos governos passados e do atual. “Esses governos nos levaram aos agiotas”, disse, criticando o teto de gastos públicos, que reajusta os repasses para saúde, educação, salários, previdência, pelos índices da inflação. “Tem coisas que sobem mais que a inflação”, asseverou.

Antecipando-se aos problemas a serem enfrentados pelo futuro presidente, ele disse que quem ganhar terá que enfrentar os problemas gerados pelo crédito fácil criado nos governos anteriores, pela desoneração fiscal e outros benefícios “que deixaram uma dívida de R$ 1 trilhão”.

SEGURANÇA PÚBLICA

Conforme o general, toda a crise vivida pela sociedade brasileira reflete-se na segurança pública e faz a vida ficar proibitiva. “E a polícia vive o pior dos mundos. Se age como polícia e faz seu serviço, é criticada pelos grupos de direitos humanos. Se cruza os braços, é criticada pela sociedade. Bolsonaro pensa no policial acima de tudo”, disse, provocando aplausos e gritos da platéia.

Mourão disse que o Rio de Janeiro vive uma guerra civil, em grande parte pela presença do crime organizado onde o estado não cumpre seu papel. “Ontem [segunda-feira] tombaram dois policiais no cumprimento do dever. Não apareceu nenhuma Maria do Rosário. Nem vai aparecer”, disparou, arrancando novos aplausos.

“Os direitos humanos são os humanos direitos”, trocadilhou.

Para Mourão o problema da criminalidade não se resolve somente com o combate à criminalidade. “O Estado e as suas organizações tem que estar presentes, tem que atuar, senão as quadrilhas ocupam o lugar do Estado. Se não fizermos isso [atuar em todas as frente], vamos ficar num eterno enxugar gelo. Nós vamos atuar na repressão ao crime, mas também nas outras vertentes”, concluiu.

PROPOSTAS

Durante o evento o candidato a vice-presidente apresentou algumas propostas da chapa liderada por Bolsonaro. Ele defendeu a descentralização de recursos para os estados e municípios. “Por que o prefeito tem que ir à Brasília buscar recursos para o hospital? Para ficar amarrado ao poder central”.

“Vamos promover a reforma tributária. Hoje o Custo Brasil representa 37% do PIB. Não dá para competir assim. Se diminuirmos a carga tributária, todo mundo vai poder pagar e a arrecadação vai aumentar”, conjecturou, alinhavando que o economista Paulo Guedes, responsável pelo plano de governo de Bolsonaro, “vem pensando nisso”.

Outra reforma na mira de Bolsonso é a da Previdência. Segundo Mourão, o modelo atual inspirado no sistema previdenciário alemão criado por Bismarck no século XIX  está ultrapassado. “É um modelo em que os da ativa mantém os inativos. Isso não se sustenta nos tempos atuais, porque a expectativa de vida está aumentando. É preciso criar um sistema gerenciado por pessoas honestas em que se começa a contribuir no primeiro emprego e o valor da contribuição determina o valor do benefício”, propõe.

Outra proposta é de uma educação voltada para a cidadania. “Atualmente cerca de 70% dos recursos da educação são gastos com o ensino superior e apenas 30% com o ensino básico. É preciso inverter isso e educar para a cidadania com os valores maiores da democracia”, disse, citando Winston Churcill: “Não existe sistema melhor que a democracia, mesmo com todas as imperfeições”.

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