Cidades

Dívidas são principal desafio da futura prefeita de Ipatinga

O Governo Robson atrasou pagamento de setores importantes na administração, como convênios com as creches, que paralisaram as atividades por diversas vezes


IPATINGA
– Cecília Ferramenta (PT) assume a Prefeitura de Ipatinga na próxima terça-feira (1o) com a responsabilidade de ajustar diversos pontos deixados pelo seu antecessor Robson Gomes (PPS). Um deles é a saúde municipal, que a própria eleita afirma ser o principal gargalo na cidade. Cecília encontrará as obras da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em andamento e caberá à futura chefe do Executivo a missão de concluí-la e desafogar o Hospital Municipal de Ipatinga.

Outra preocupação para a prefeita deverá ser a reabertura do Restaurante Popular, que desde o fim de novembro está fechado para reformas. No entanto, a Prefeitura possui uma dívida com a fornecedora de alimentos do Restaurante, a Caipa, que atualmente está na casa dos R$ 415 mil.

A ex-deputada também tem a missão de fazer com que Ipatinga se confirme como uma das cidades-sede para centros de treinamentos de seleções da Copa do Mundo de 2014. Atualmente, o município faz parte do Catálogo oficial da Federação Internacional de Futebol (FIFA), mas precisa ter atrativos como hotéis de alta qualidade, bons meios de transporte e estádio em boas condições para receber os times participantes.

Outro ponto que deve ser visto com cuidado por Cecília é a questão do Olho Vivo Municipal, que desde agosto está desativado na cidade. Segundo o atual governo, a queda nas receitas da cidade e as dívidas com Fundação Guimarães Rosa, que mantinha o Olho Vivo, foram as causadoras da crise no sistema.

Além do Olho Vivo, este ano foram muitos os setores que reclamaram esquecimento por parte do Poder Executivo. Na educação, foram muitos os atritos entre o Governo Robson e líderes de creches municipais, que chegaram a ficar cinco meses sem receber. Após realizarem três paralisações e movimentos que chegaram até a Câmara de Vereadores, os profissionais receberam os repasses referentes aos seus salários no início deste mês.

Já na Assistência Social, foi preciso a intervenção da justiça para que o Governo pudesse pagar os valores para manutenção de asilos municipais, e nas obras públicas, fica para Cecília uma cidade com muitos buracos e a suspensão do contrato com a empresa que fazia os consertos. O motivo: falta de pagamento.

Mas o mandato de Robson termina não só com problemas para a futura prefeita. O atual prefeito conseguiu regularizar antes do fim de sua gestão a situação com a Vital Engenharia, concessionária que realiza a limpeza pública na cidade. Durante quatro meses, a empresa paralisou os serviços na cidade por falta de pagamento por parte da Prefeitura. Em novembro, após celebrarem um novo contrato, o Governo anunciou o retorno da varrição e coleta de lixo a Ipatinga, trabalho que vem sendo mantido hoje.

Talvez o grande desafio de Cecília seja mesmo aprovar o Plano Diretor da cidade, que funcionará como uma espécie de direcionamento para Ipatinga no que diz respeito às obras de desenvolvimento e de ordenamento para expansão urbana do município. O documento foi elaborado pelo Executivo e ainda precisa ser aprovado pelo Legislativo. Na cidade, as conversas sobre o texto vêm acontecendo há mais de dois anos e foram alvo de reclamações por parte de construtores devido às restrições impostas ao setor. No último dia 19, o processo de aprovação do Plano teve mais um capítulo com liminar concedida pelo juiz da Vara da Fazenda Pública, Fábio Torres, que suspendeu a entrega do projeto ao Poder Legislativo sob alegação de que a empresa contratada pela Prefeitura para elaborar as leis complementares, a Fundação Gorceix, não teria capacidade técnica para realizar o trabalho.

Além destes pontos, Cecília terá a missão de organizar sua administração para driblar a constante diminuição das receitas que tanto Ipatinga quanto outras cidades da região sofreram ao longo deste ano. Caberá à futura prefeita e sua equipe de Governo a habilidade de utilizar de forma consciente as verbas públicas e destiná-las de maneira equilibrada entre a população.


Gestão Robson não conseguiu realizar operação tapa-buracos porque o contrato com a empresa está
suspenso: administração também chega ao fim com “buracos” na composição do governo

(Foto: André Almeida)

Governo chega ao fim com buracos também nas secretarias
Ipatinga
– O mandato do prefeito Robson Gomes (PPS) chega ao fim na próxima segunda-feira (31) marcado, entre outras coisas, pela dança das cadeiras nas Secretarias de Governo, especialmente durante este ano.
Das 13 pastas existentes na Prefeitura, duas estão sem chefes: a da Educação e a de Planejamento. Já a Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer funciona sem um nome específico à frente – está sendo ocupada de forma interina por Luís Henrique Alves, atual secretário de Desenvolvimento Econômico. Além destas, Robson não teve nos últimos meses ninguém para trabalhar como chefe de seu gabinete.

De acordo com o Diário Oficial da Prefeitura, a primeira mudança ocorrida este ano em pastas do Executivo aconteceu em março com a saída do chefe da Assessoria de Comunicação, Walace Martins, e entrada de Marcele Pena de Oliveira como sua substituta, um dia depois.

Em abril, foi a vez da secretaria de Cultura, Esporte e Lazer ficar sem um secretário, com a exoneração de Mateus Alves Shinzato. No mesmo dia, Luis Henrique, então secretário de Desenvolvimento Econômico, assumiu interinamente as funções nesta pasta.

No mês de junho, Arlen Marcos Ferreira foi desligado da função de secretário de saúde. Seu posto foi ocupado por Wagner Barbalho, que se mantém no cargo até então.
Em 31 de julho, Maurício Mayrink, chefe da Secretaria de Educação, deixou seu cargo na Prefeitura. O posto foi assumido por Amaury Gonçalves, que um dia antes tinha sido exonerado da Secretaria Extraordinária para Assuntos Institucionais. Amaury, no entanto, permaneceu somente dois meses na pasta da Educação, sendo exonerado no início do mês de outubro, por vontade própria.

Em agosto, as trocas atingiram a Procuradoria Geral do Município, com a exoneração de Heyder Torre no dia 6 e nomeação de Adriana Moreira Almeida Sathler no dia 7. No mesmo dia, Heyder foi anunciado como Secretário Extraordinário para Assuntos Institucionais do Executivo.

Trocas ocorreram ainda na Secretaria Municipal de Obras com o desligamento de Rodrigo Otavio Sad, que foi substituído pelo então Diretor do Departamento de Fiscalização de Obras Públicas, Douglas Prado Barbosa.
Outro setor onde houve mudanças foi no Serviço Municipal de Dados da Prefeitura, com a exoneração de José Geraldo de Araújo Neto e entrada de Ilton Câmara.

As últimas baixas na Prefeitura de Ipatinga aconteceram no início de outubro deste ano, quando os então secretários Wander Ulhôa e Cemário Campos, das pastas de Planejamento e Assistência Social, respectivamente, pediram exoneração de seus cargos.

A Secretaria Municipal de Assistência Social foi então ocupada por Leonardo Oliveira Rodrigues; já a pasta de Planejamento não foi preenchida por nenhum profissional.

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