Cidades

Creches iniciam greve por tempo indeterminado

Funcionários e pais protestaram em frente à Prefeitura de Ipatinga: “falta de palavra do governo”

 

IPATINGA – A tarde de ontem (21) foi marcada pelo início da greve das entidades conveniadas à Prefeitura. Cerca de 300 funcionários das creches municipais realizaram um manifesto em frente ao prédio da PMI.
O objetivo da paralisação é pressionar a administração pública a assinar o convênio de 2012 junto às entidades. Os funcionários estão sem receber os salários há dois meses. Enquanto o convênio não for acertado, eles prometem não voltar ao trabalho. “Os pais precisam da creche e nós precisamos receber. Alguns de nós estamos fazendo faculdade ainda porque isso foi uma exigência da Prefeitura e o nosso trabalho não está sendo valorizado. Por isso vamos ficar com as entidades fechadas até que o problema seja resolvido”, garantiu Sandra Aparecida, funcionária do Centro de Educação Infantil Leide.

SALÁRIO

Os trabalhadores disseram em voz alta por diversas vezes que queriam receber. Faixas e cartazes também demonstraram a indignação dos profissionais. “Todos os funcionários das creches estão em greve e esse movimento vai continuar. As atividades só vão ser retomadas depois que o dinheiro cair na conta das entidades. Ninguém mais vai trabalhar sem receber”, informou Viviane Araújo, representante do Sindicato dos Funcionários das Creches.
A informação foi confirmada por Sandra Aparecida. “Não temos previsão para voltar a trabalhar. Os presidentes das creches sempre vêm à Prefeitura e novos prazos são marcados, mas eles nunca pagam no dia que marcam. E nós não acreditamos mais em palavras e nem no prefeito. Agora só vamos voltar depois que o nosso dinheiro estiver na conta”, afirmou a trabalhadora.

DIFICULDADE
Muitas mães de alunos que frequentam as creches engrossaram o manifesto. Fernanda Rodrigues trabalha como empregada doméstica e disse que não tem onde deixar a filha. “A minha filha não pode ficar sem creche porque não tem ninguém pra vigiar ela e eu trabalho em casa de família. Vou ter que dar um jeito porque a minha filha só tem dois anos e eu não posso deixá-la com qualquer pessoa”, desabafou Fernanda.
O caso da diarista Ana Paula Monteiro é ainda pior: ela está correndo o risco de perder o emprego. “Eu já perdi serviço hoje (ontem) e agora vou ficar sem trabalhar até o prefeito pagar as creches. Minha patroa já falou que se eu não for amanhã, ela vai colocar alguém no meu lugar. Tenho que trabalhar para criar minhas filhas, eu que pago tudo na minha casa. E se eu não trabalho eu não recebo”, declarou a diarista.

PENDÊNCIAS
De acordo com o secretário de educação, Maurício Mayrink, os convênios ainda não foram assinados porque muitas creches apresentaram problemas. “O convênio de 2011 venceu no dia 8 de fevereiro e só no dia 28 do mesmo mês a Câmara aprovou um projeto de lei sobre a verba para as creches. Hoje (21), a controladoria começou a fazer as análises dos documentos das creches e muitas estão com pendências”, disse Maurício.
Ainda segundo ele, as entidades que estão regulares serão chamadas para assinar os convênios. “Aquelas creches que não estão com pendências vão começar a assinar os convênios e com certeza a PMI vai ser parceira. Não queremos ser madrastas de ninguém, queremos que o dinheiro seja usado corretamente. Por isso, convido as creches a fazerem a prestação de contas e apresentarem os documentos e os planos de trabalho dentro do que foi estipulado pela Prefeitura”, declarou o secretário de educação.
Viviane Araújo, responsável pelo representante do Sindicato dos Funcionários das Creches, afirmou que as entidades não apresentam problemas. “Isso que a Prefeitura está alegando não confere porque o convênio só poder ser assinado se os documentos estiverem corretos. Enquanto eles dificultam a situação, nós estamos recebendo ligação de professores desesperados e mães nos ligando chorando”, concluiu Viviane.

Ana Paula teme perder o emprego, já que não
tem com quem deixar as filhas pequenas

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O objetivo da paralisação é pressionar a administração pública a assinar o convênio de 2012 junto às entidades. Os funcionários estão sem receber os dois últimos salários e enquanto o convênio não for acertado eles prometeram não voltar ao trabalho. “Os pais precisam da creche e nós precisamos receber. Alguns de nós estamos fazendo faculdade, que foi exigência da Prefeitura e o nosso trabalho não está sendo valorizado. Por isso vamos ficar com as entidades fechadas até que o problema seja resolvido”, garantiu Sandra Aparecida, funcionária do Centro de Educação Infantil Leide

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