Internacionais

Com 5 mortos, manifestações prosseguem no Equador

Indígenas, trabalhadores e estudantes aprofundaram seus protestos

BRASÍLIA – A Defensoria Pública do Equador confirmou, nesta quinta-feira (10), a morte de um homem durante os protestos de ontem (9) contra o ajuste econômico do governo, fato que já havia sido relatado pela Confederação das Nacionalidades Indígenas (Conaie) em mensagem na qual repudiava a “repressão brutal e desmedida aos manifestantes”.

Segundo a Defensoria, a vítima é um líder indígena do Conaie, que foi ferido na cabeça durante protestos em massa, que foram reprimidos pelas forças de segurança com grande quantidade de gás lacrimogêneo.

Com este caso, sobe para cinco o número de mortos nos protestos. Depois do fim de semana, um homem morreu atropelado no sul do país, quando, supostamente, tentava escapar para se proteger da repressão, e três morreram ao “cair” de uma ponte em Quito, capital do país.

Em meio ao retorno do presidente do Equador, Lenín Moreno, à capital e uma espessa nuvem de gás lacrimogêneo que inundou as ruas estreitas que circundam o centro histórico, dezenas de milhares de indígenas, trabalhadores e estudantes aprofundaram seus protestos e prosseguiram até as proximidades do palácio presidencial militarizado.

Enraged anti-government demonstrator gather during clashes with the police as they protest against President Lenin Moreno and his economic policies, in Quito, Ecuador, Tuesday, Oct. 8, 2019. Ecuador has endured days of popular upheaval since President Moreno scrapped fuel price subsidies, a step that set off protests and clashes across the South American country. (AP Photo/Fernando Vergara)

CERCO

O objetivo era chegar ao Palácio Carondelet, mas o prédio estava completamente cercado e guardado pelas forças de segurança. No entanto, e apesar dos esforços da polícia para conter o progresso, um grande número de manifestantes foi instalado a apenas quatro quarteirões ao norte, na Praça do Teatro.

A marcha dos indígenas, entretanto, culminou na Praça de Santo Domingo, também a quatro quarteirões de distância, mas ao sul.

A partir de segunda-feira, os manifestantes começaram a chegar aos milhares em Quito, após um apelo da Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) para lutar contra a suspensão dos subsídios aos combustíveis, medida enquadrada em um plano de ajuste vinculado a um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Paralelamente, os principais sindicatos do país pediram uma greve nacional e aderiram aos protestos.

ROTAS CORTADAS

Com algumas rotas cortadas, sem transporte urbano e com a capital quase tomada e cheia de barricadas, o governo não pôde retomar a continuidade das aulas, como prometido, o que aumentou a sensação de paralisia em boa parte do país.

Nesse difícil contexto, o presidente tentou recuperar o controle da capital e voltou hoje a Quito, embora seu governo não tenha relatado seu paradeiro exato por razões de segurança.

Moreno havia deixado Quito na noite de segunda-feira e se estabelecera na cidade de Guayaquil, o coração econômico do país e o bastião tradicional do centro-direita.

A partir daí e enquanto a enorme coluna de povos indígenas atravessava Quito e se aproximava do centro histórico militarizado, ele prometeu manter sua política econômica e, principalmente, a suspensão dos subsídios aos combustíveis e acusou o ex-presidente Rafael Correa de estar por trás de todos os protestos.

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