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Wilton Rodrigues

Frase de efeito Imagem do Redator sobre o autor
22/03/2017 04h47

A Quarta Via (Economia e Finanças)

A “Quarta Via” apenas quase acertou ao fazer previsões catastróficas para muito perto (o livro foi escrito em 2010). Ao mesmo tempo em que chora o leite derramado tenta ensinar como evitar a desgraça crescente, isto é, aproveitar a própria força da desgraça para aplicar-lhe um poderoso ippon

Estava à toa na vida, vai daí resolvi fuçar no meio de minha livraiada velha, que vem se acumulando desde o latim de José Cretela Jr., passando pela filosofia do Pe. Fernando D’Ávila (que faleceu há poucos anos), até umas besteiras de auto-promoção de Jô Soares.
Tenho e li pelo menos cinco livros escritos por José Carlos de Assis, todos relacionados a Economia, Finanças, Negócios e Corrupção... “A Chave do Tesouro”, “A República dos Mandarins”, “A Dupla Face da Corrupção” e “A Quarta Via”, etc. José Carlos de Assis saiu garoto calça-curta de Marliéria, passou pela imprensa do Vale do Aço e acabou transformando-se em estrela da literatura do gênero no Rio de Janeiro. Zé Carlos fez doutorado na UFRJ, orientado pela professora portuguesa Maria da Conceição Tavares, de quem se tornou amigo e parceiro.Li sua última produção, A Quarta Via, escrita por volta de 2010. Luiz Gonzaga Beluzzo fez o prefácio.
Zé Carlos e eu trabalhamos juntos aqui no Vale do Aço, quando um grupo de malucos fundou e afundou o Diário da Manhã, de dolorosa mas histórica lembrança. Na época, o mocinho aspirava a explodir o Cristo Redentor via on-line e mantinha, escondido, o secreto desejo de destruir o arsenal atômico dos Estados Unidos com a força dos dentes.
Convivendo, desde então com a elite intelectual do Rio de Janeiro, Zé pode ver e sentir que as coisas nem sempre funcionam como os arroubos da juventude sonham. Para impressionar moçoilas ainda sem saber bem o que querem e para onde vão, textos carregados de informações distantes do alcance, digamos popular, costumam só servirem à construção de massagem no próprio ego. Tempos passados, tudo se desfeito como castelo de areia, autores e possíveis leitores não têm muito a comemorar porque os tempos mudam repentinamente, e o que era charme em outras épocas vira enfado para quem vive neste mundo sem pé nem cabeça.
Porque a vida tem hoje roteiros diversos: o que fala de dinheiro, poder, força, drogas,Trump, Temer. Pontificam as comédias, os dramas, as dores, pouco sobrando do tempo para bater palmas para o belo.Tal qual viveu e glorificou o genial Carlitos (Charles Chaplin). Viver é um dramalhão tolerável apenas onde se põem pitadas de humor inteligente.
A “Quarta Via” apenas quase acertou ao fazer previsões catastróficas para muito perto (o livro foi escrito em 2010). Ao mesmo tempo em que chora o leite derramado tenta ensinar como evitar a desgraça crescente, isto é, aproveitar a própria força da desgraça para aplicar-lhe um poderoso ippon logo nos primeiros rounds. Sua proposta de pleno emprego não deixa de ser interessante em muitas passagens. Seriam viáveis mesmo nesta era pós-industrial, porque a quantidade de moeda que circula no mundo não pode ou não deve aumentar arbitrariamente em benefício da manutenção de certo equilíbrio nas relações entre os países, digamos, do mesmo naipe. Por outro lado - a economia pode ser vista e medida por vários ângulos – a moeda que circula na superfície do capitalismo é quase sempre a mesma. Apenas muda de dono. Ninguém sabe ao certo quantificá-la. Calcula-se que passa dos 50 trilhões de dólares.
Em resumo: Estados Unidos, China e Israel guardam a maior parte. Não se pode objetar contra a inclusão de Israel nesse trio. Judeus estão no mundo inteiro, isto é, Israel não é só aquele pedacinho de terra árida do Oriente Médio.
O pleno emprego enfocado em “A Quarta Via” baseia-se na teoria do contratualismo que o autor interpreta como um aperfeiçoamento dos múltiplos instrumentos que hoje já interferem nas relações capital/trabalho, ampliando o leque de concessões mútuas, até chegar, num último estágio, ao SOLIDARISMO.
Para quem queria botar fogo na igreja e cercar o santo na porta, Zé Carlos, o mineirinho de Marliéria, hoje propõe soluções pacíficas para aliviar as caras feias que capital e trabalho trocam entre si.
Mas solidarismo global é tão viável quanto paixão entre casais depois das festanças da lua de mel.
O livro “A Quarta Via” é gostoso de ler e fácil de entender, apesar do intrincado vocabulário usado na economia. Mas sua proposta não tem guarida na realidade de um mundo cada vez mais egocêntrico.
O Zé, de Marliéria, continua sonhando.

(*) Wilton Rodrigues é jornalista e fundador do “Diário Popular”.

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