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Douglas Freitas

Douglas Freitas Imagem do Redator sobre o autor
09/01/2017 08h50

Deu onda

De um começo meio tímido com Carmem Miranda assumindo que deu (“O que foi que você deu, meu bem?”) ou com a cobra de um rockstar querendo comer uma aranha, fomos para a pulverização de um axé sem vergonha ancorado em pura malícia nos anos 90.

Nada de muito novo na verdadeira música popular brasileira, aquela que é capaz de unir o Oiapoque ao Chuí deste vasto país e atualmente tocada ad infinitum em uma das piores contribuições para o silêncio na sociedade modernidade, que são as caixinhas de som portátil.
Popular mesmo tem que ter batida, ritmo, passinhos, rebolado até o chão e expressões de deixar os mais puritanos com vontade de enterrar a cabeça na areia. São, salvo raras exceções, canções nascidas em particularidades e excentricidades sexuais e que extrapolam as quatro paredes de um quarto para ecoar de forma sem vergonha, sem pudor, na boca de todos sem indicação classificativa.
“Deu Onda”, do MC G15, é só mais uma de nossas brasilidades e apresenta tudo sem maquiagem: a bebida, a maconha, a cocaína e a ostentação (no clipe) e a vontade de f*der por ter um pau que ama. Sim, “o pau ama”, aprendam. Já é a música mais tocada do mês candidata a hit do carnaval (com coreografia que não disfarça a letra) e viral por aqui na internet. É música-chiclete nível máximo e se ainda não ouviu (du-vi-do), pode ir se preparando ou apenas clicar no vídeo a seguir.
Não que seja coisa do funk, o proibidão que inexplicavelmente recebe versões mais comportadas nos servições de streaming. Tampouco é coisa só nossa, mas temos de reconhecer essa verdadeira escola tupiniquim de duplo sentido de sentido escancarado que temos por aqui.
De um começo meio tímido com Carmem Miranda assumindo que deu (“O que foi que você deu, meu bem?”) ou com a cobra de um rockstar querendo comer uma aranha, fomos para a pulverização de um axé sem vergonha ancorado em pura malícia nos anos 90. As músicas nos ensinavam, entre tantas coisas, a ralar na boquinha da garrafa, a colocar a mão no joelho e dar uma abaixadinha balançando a bundinha, a chupar o pirulito que lambuza a sua boca. Já o pagode mandou dar uma paulada (e uma chicotada e uma esporada e uma furada) na barata da vizinha ou a ter cuidado com a cabeça do pimpolho; e no sertanejo rolou um “ai se eu te pego” (essa ameaça tipo exportação febre na Europa) e uma paquera com a mulher que segura o coco enquanto alisa o canudinho. Difícil? O jeito foi dar uma fugidinha com você.
Tem o sol, o calor, o suor, as praias e um batalhão de músicas que podem até parecer apenas diversão descartável para embalar a libertinagem de nossas folias. Mas também é uma marca importante da cultura brasileira, um traço de nossa personalidade e, para muitos, a forma de nos reconhecer como nação. Não vemos problema em ter a sexualidade tão aflorada e sermos pouco reservados sobre nossas intimidades, porque a fronteira desse Brasil maroto parece caber, perfeitamente, nas quatro paredes de um quarto.

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