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Fernando Benedito

"Não fosse tanto e era quase" (Paulo Leminsky) Imagem do Redator sobre o autor
26/09/2016 11h36

A lógica do boi e do carrapato

Iludido por falsas promessas, pelo messianismo que assegura os céus quando mal pode entregar uma nuvenzinha, o povo, no caso, a gadaria, vai passar por maus momentos no pasto seco da invernada. Ah, vai. A menos que Quintão resolva tirar do seu quinhão para tocar as obras públicas, “abrir quantas uni

Questionado durante entrevista na InterTV dos Vales sobre trecho de seu programa de governo que anuncia investimento em saúde bucal em Coronel Fabriciano, o candidato a prefeito de Ipatinga Sebastião Quintão (PMDB) nega a afirmação – que foi registrada e pode ser consultada no site do TRE – e tenta sair pela tangente: “Olha, primeiro, que não é verdade isso. Sou um homem formado em duas faculdades [informação recorrente em seus discursos], um homem culto, com visão de estadista [e “modesto” também, como se vê]. Jamais me prestaria a um papel destes. O nosso adversário está interessado nestas coisinhas minúsculas. Eu sou fazendeiro [outra informação recorrente]. Eu cuido do meu boi. Não cuido dos carrapatos do meu boi. Eu estou preocupado com a bactéria, com o parasita”.

Supondo que Quintão quisesse dizer que na condição de fazendeiro, proprietário de cartório, minerador, ou seja, de homem rico que, entre outros bens e patrimônios possui muitos cafezais e bois, e que, portanto, dedica-se às grandes questões, não podendo perder tempo com questiúnculas, é de se perguntar por que, então, não apresentou um Plano de Governo com propostas para a grande cidade e os grandes problemas que ele pretende administrar? É no mínimo estranho tal negligência a homem tão culto, estadista que estudou em duas faculdades. Negligência imperdoável, na verdade, para quem se predispõe a lutar pelas grandes causas municipais e até nacionais, como costuma afirmar.

Agora, supondo que Quintão estivesse fazendo uma metáfora e quisesse dizer que sua candidatura pretende cuidar das pessoas, no caso, os bois, e destruir os carrapatos, isto é, seus opositores que estão no poder, ou como ele diz, nas tetas desta vaca cheia de carrapatos (no caso, a Prefeitura de Ipatinga), não tem explicação ele afirmar em seguida que sua preocupação são as bactérias e os parasitas. Afinal, de contas, ele quer cuidar das grandes coisas ou das pequenas coisas? Quer cuidar dos bois ou das bactérias. Faltou deixar mais claro quem são os bois e quem as bactérias, já que os carrapatos são mais fáceis de detectar, porque incomodam mais. É uma dúvida emblemática, mas cultural e filosoficamente justificável.

Fato é que esta vida de gado não é nada fácil. E tende a ficar mais difícil quando se caminha para o abatedouro com a absoluta inconsciência e incerteza do que vem pela frente.

Iludido por falsas promessas, pelo messianismo que assegura os céus quando mal pode entregar uma nuvenzinha, o povo, no caso, a gadaria, vai passar por maus momentos no pasto seco da invernada. Ah, vai. A menos que Quintão resolva tirar do seu quinhão para tocar as obras públicas, “abrir quantas unidades de saúde quanto forem necessárias”, pagar o funcionalismo a tempo e a hora, reabrir o Restaurante Popular (registre-se, a única obra mais significativa de seu governo, fechado no governo Robson Gomes, diga-se de passagem) e operacionalizar todas as promessas que faz, Ipatinga tende a entrar num colapso administrativo sem paralelo nos tempos atuais.

As razões para tal afirmação são muitas. Mas uma que justifica tanto pessimismo é a falta de uma diretriz real, de um plano que leve em conta a realidade da economia municipal – coisa que ainda não se ouviu falar nas campanhas oposicionistas. Inclusive, na de Quintão, que, esbanjando sabedoria, deveria distribuí-la melhor entre seus eleitores, cabos eleitorais e correligionários. E não é por falta de dados, porque são informações públicas, com acesso liberado a qualquer cidadão que se interesse, queira ou que saiba ler os números.

Finalmente, como diz o próprio Quintão sobre o erro material de seu Plano de Governo copiado (mas que é coisa de somenos importância, pequena como uma bactéria), “pode ter sido um erro de digitação”. Um erro de digitação que, cometido nas urnas, será fatal para a cidade.

Mas isso também é coisa de menor importância. Mais importante é o boi.

(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular, estudou em uma faculdade e cria cabras.

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