àrea de notificações àrea de notificações àrea de notificações àrea de notificações

Nenhum outro registro encontrado!
Email enviado com sucesso!
Falha ao enviar o email!
Blogs da Redação

Jorge Ferreira

frase de efeito Imagem do Redator sobre o autor
28/03/2016 07h24

Os militares e a agonia do poder civil

O doce sabor da liberdade é um incentivo a que nossa sociedade se poste refratariamente a qualquer tentativa de uma intervenção. A solução dos problemas brasileiros está na política, por pior que seja o caráter da maioria dos nossos políticos e nossa inabilidade para escolher nossos representantes.

Em 28/08/1961, o marechal Odílio Denis, o almirante Silvio Heck e o brigadeiro Grum Moss, então ministros militares, diante da inusitada renúncia do Presidente Jânio Quadros, entendendo que a Constituição lhes impunha a “responsabilidade pela ordem interna”, manifestaram ao Presidente da Câmara, Senhor Ranieri Mazzilli, “a absoluta inconveniência, por motivos de segurança nacional, do regresso ao país do Vice-Presidente João Belchior Marques Goulart”. Mazzilli, como relatou o jornalista Carlos Castello Branco, leu o manifesto, deu-lhe ciência e mandou arquivar.

Três anos depois, em março de 1964, os militares assumiriam o poder implantando uma longa ditadura. “Páginas tenebrosas da nossa história”, dizem as pessoas com formação e valores democráticos. Todavia, nas atuais manifestações contra o governo Dilma, uma minoria parece ter esquecido o passado e conclamam a volta dos militares. Haveria alguma possibilidade de isso acontecer?

No golpe de 1964, vigorava a Constituição de 1946. Essa Carta dizia que as forças armadas eram instituições permanentes, organizadas com base na disciplina e hierarquia, sob autoridade suprema do Presidente da República, sendo destinada para defesa da Pátria e garantia dos poderes constitucionais, da lei e da ordem. Nossa atual Constituição (Art. 142) preservou a destinação anterior das forças armadas, porém, para que essas possam intervir para garantir a lei e a ordem, precisam da iniciativa de um dos poderes constitucionais (Presidente da Mesa do Congresso Nacional, Presidente da República ou do Presidente do Supremo Tribunal Federal). Por si sós, os ministros militares não poderiam intervir, salvo para garantia dos poderes constitucionais. Daí, surge a natural pergunta: seria isso oportuno, conveniente ou adequado aos brasileiros?

Penso que, apesar de todas as frustrações com o falso discurso ético do lulismo-petismo, do desastre econômico causado ao país, do desemprego galopante e a falta de perspectiva, seja “coxinha”, “petralha” ou um incauto “mortadela”, nunca o brasileiro teve tanta liberdade para expressar suas convicções, suas conveniências, suas verdades e suas mentiras. O doce sabor da liberdade é um incentivo a que nossa sociedade se poste refratariamente a qualquer tentativa de uma intervenção. A solução dos problemas brasileiros está na política, por pior que seja o caráter da maioria dos nossos políticos e nossa inabilidade para escolher nossos representantes.

Vale acrescentar que, no contexto político mundial, não há mais a polarização da guerra fria. Os regimes de esquerda foram incapazes de realizar a igualdade material, garantir a liberdade às pessoas e cultivar valores democráticos. As mais brutais ditaduras conhecidas impuseram-se sob o manto da esquerda (Stalin; o Khemer Vermelho de Pol Pot; o regime do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte) e caracterizaram-se pelo objetivo de se manter no poder a qualquer custo. De outra banda, a doutrina da segurança nacional contra os “inimigos da liberdade”, inspiradora das ditaduras de direita (Brasil, Argentina, Chile etc.), não mais subsiste como força ideológica.

Os problemas que nos desafiam não são ideológicos. São a fome, a distribuição eficaz da riqueza, o crescimento econômico proporcional ao aumento populacional, a igualdade de oportunidades, a saúde pública, a educação que vá além da simples entrega de um diploma, a intolerância e o radicalismo.

Os militares já aprenderam que a simples instauração da ordem não tem o condão de resolver os problemas da moderna sociedade mundial. É na Política que a saída deve ser encontrada e isso implica: passar pela aprendizagem do voto errado; desapontar-se com o representante eleito; exigir que seu candidato aponte os meios pelos quais pretende atingir as promessas de campanha; envolver-se responsavelmente com o processo eleitoral; deixar a zona de conforto e partir para o diálogo tolerante com o outro, sem previamente rotulá-lo de petralha ou coxinha.


(*) Jorge Ferreira S. Filho. Articulista. Advogado. Professor e Conselheiro do Instituto dos Advogados de Minas Gerais – IAMG. E-mail professorjorge1@hotmail.com

COMPARTILHAR:
Banner Cenibra ad cmi prata sem data
PUBLICIDADE

Shopping

topo SIGA Fique por dentro das últimas notícias

Redação

Interag

Av Juscelino Kubitschek, 1290Jardim Panorama Ipatinga-MG / CEP:35164-245 - diariopopular.redacao@gmail.com

Telefone: (31)3827-0369

Google Maps
© 2000-2017. Jornal de Verdade.