Nacionais

Avenida Proibida e restaurante continuam fechados, saúde afunda

(*) Fernando Benedito Jr.

Fechada de forma abrupta pelo governo de Sebastião Quintão (PMDB) no dia 24 de fevereiro para as obras de arremates (plantio de gramas, contenções, muro de arrimo, trevo e outras intervenções já previstas no projeto inicial, em sua maioria já licitadas e com recursos em conta), a avenida Manaaim, passados três meses, continua proibida de ser acessada pelo público. Os cidadãos que já usavam a avenida antes de sua abertura oficial ao trânsito, foram impedidos de usá-la por uma ação truculenta da Prefeitura que colocou monturos de terra e barreiras nas entradas, junto a uma placa citando uma lei municipal que proíbe a inauguração de obras inacabadas. Embora a avenida Manaaim não tenha sido oficialmente inaugurada, ela foi aberta ao público no final do governo da prefeita Cecília Ferramenta (PT), num gesto que só sacramentou uma utilização que já estava acontecendo de fato. Um levantamento realizado à época pelo mandato da vereadora Lene Teixeira contabilizou mais de 10 mil veículos transitando diariamente pelo local.

ESTELIONATO
O fechamento ao trânsito, medida de viés autoritário adotada pelo atual governo, não apenas privou o cidadão de utilizar a nova via pública – também lançando mão do frágil argumento de que o trânsito no local era inseguro –, soou como uma atitude punitiva aos próprios eleitores de Quintão, a exemplo de outras tantas que um governo marcadamente atrasado vem tomando em prejuízo da população.
Tais atitudes que também se refletem na falta de remédios nas unidades de saúde, contrariando a proposta de campanha de mandar entregar o remédio na casa do paciente; no descaso com o Restaurante Popular, que o prefeito disse que abriria num de seus primeiros gestos de governo; na incapacidade para resolver os problemas do funcionalismo que herdou do governo anterior com a promessa de resolver tão logo assumisse, entre tantas outras, coloca a atual administração na incontestável condição de um “estelionato eleitoral”. Afinal, o eleitor, ludibriado pelas promessas de uma cidade melhor votou num projeto que na prática nada mais é do que a extensão de um feudo comandado por um capitão-do-mato.
A caricata figura do prefeito de Ipatinga com seu chapéu de cowboy, óculos escuros e botas de cano alto, admitindo-se que esta maneira brega-chique como gosta de se vestir tem mais a ver com a realidade texana do que com a do interior de Minas, é reveladora também se sua personalidade, tipo, “o dinheiro é meu e faço dele o que quiser” e “não tenho que dar satisfação a ninguém”. E isso vale também quando se trata de administrar uma cidade industrial e urbana como Ipatinga.

SILÊNCIO
É de se estranhar, contudo, como os cidadãos e cidadãs e mesmo as autoridades se calam diante de tanta insensatez. O debate simplesmente não acontece. O parlamento local, majoritariamente aliado, apenas defende e pede calma, justifica, diz que em breve tudo será resolvido, a avenida será reaberta, as promessas serão cumpridas e a cidade será bem melhor do que era antes. Mas os sinais que o tempo e as ações nos mostram apontam noutra direção.
É certo que a crise política e econômica atinge em cheio a cidade. Um leve sopro de recuperação do setor siderúrgico começa a dar novo alento ao mercado e a cidade já provou desta melhoria ao receber de um só tapa R$ 28 milhões de IPTU da Usiminas, benefício que o governo anterior não teve em nenhum ano do mandato.

BALELAS
Mas não nos parece que o problema seja somente a falta de recursos. No caso de Ipatinga, falta um monte de coisas, competência para buscar recursos externos, por exemplo, parecer ser uma delas. A incapacidade para construir políticas sociais, culturais e ambientais (vide a questão do lixo e do entulho urbanos) relevantes, salta aos olhos. As balelas sobre a área de saúde ditas durante a campanha eleitoral são tão insustentáveis que a primeira baixa do governo foi exatamente neste setor – e a coisa continua piorando, sem que Quintão consiga dar respostas.
Enquanto isso, a cidade convive com ações paliativas e “meia boca” como as operações tapa-buraco de quando em vez; uma mão de cal aqui outra ali nos meios fios; e, claro, as inevitáveis roçadas, capinas, plantios de árvores, gramas e flores que tornam a cidade mais bela e, certamente, também encarecem as medições da empreiteira responsável, haja vista o aumento deste tipo de serviço.

(*) Fernando Benedito Jr.

Você também pode gostar