Cidades

Aumenta cota para mulheres

“Há mulheres nos cargos políticos, inclusive na Presidência da República. Mas nós buscamos o equilíbrio”, opinou a juíza

 

IPATINGA – As eleições deste ano terão uma grande novidade: o aumento da cota de 20% para 30% das vagas de candidaturas que deverão ser preenchidas por mulheres. A medida visa a aumentar de fato a presença das mulheres na política, já que desta vez a legenda que não cumprir a regra poderá sofrer com punições, ainda não estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
O problema da participação da mulher na política está relacionado a inúmeros fatores. Dentre eles, o mais importante talvez seja a dupla ou tripla jornada de trabalho que impede o engajamento de militantes femininas nas fileiras partidárias.
Apesar dos obstáculos, a juíza eleitoral de Ipatinga, Josselma Lopes da Silva Lages, está otimista. Segundo ela, “os partidos vão conseguir garantir a cota, pois temos muitas mulheres inteligentes para ocupar essas vagas. Os partidos devem respeitar essa obrigatoriedade principalmente para evitar futuras punições. A intenção da cota é para dar mais proporcionalidade entre homens e mulheres no processo eleitoral”, afirma.

HISTÓRICO DE CONQUISTAS
De 1932, quando conquistaram o direito ao voto até o pleito de 2008, as mulheres brasileiras obtiveram no máximo 12% das prefeituras e das cadeiras do legislativo municipal. Na última eleição, foram eleitas 498 prefeitas e 6.556 vereadoras, números que se mantém numa tendência de lento crescimento. Diante deste quadro, a juíza acredita que o aumento da participação das mulheres é relevante, mas ainda insuficiente para equilibrar as relações de gênero nas questões relacionadas ao poder político.
“Houve, inegavelmente, uma maior inserção feminina nas últimas décadas, porém é necessário garantir maior participação das mulheres na política. Antes estávamos dentro de casa, lidando com os afazeres domésticos. Hoje, há mulheres nos cargos políticos, inclusive na Presidência da República. Mas nós buscamos o equilíbrio”, opinou Josselma Lopes.

Deputada fala em mudança de valores
Ipatinga
– Reeleita com mais de 67 mil votos, a mulher mais bem votada de Minas Gerais, a deputada estadual Rosângela Reis (PV) também está esperançosa com os resultados das próximas eleições. Para a parlamentar, “o crescimento da participação da mulher é uma tendência histórica muito clara e o aumento da cota será mais um elemento-chave para consolidar representatividade das mulheres nas esferas de poder”.
O Brasil registra no momento dez senadoras, 44 deputadas federais e 137 deputadas estaduais e distritais. A bancada feminina perdeu uma cadeira no Congresso Nacional em relação a 2006, mas no geral o crescimento da participação delas também variou de 8% a 12% no Senado, nas assembleias estaduais e na Câmara de Deputados.
Rosângela aponta outro fator que deve influenciar a disputa de outubro, qual seja: o bom desempenho das gestoras nos ministérios e na presidência. “Estamos quebrando um paradigma. É uma verdadeira mudança de valor. Alguns diziam que mulher não podia governar porque não tinha pulso. Quem tinha essa impressão mudou de opinião. Os índices altos de aprovação, não somente do Governo Dilma, como de outras administrações lideradas por mulheres, significam uma nova era na política brasileira”, profetizou a deputada.

 


A deputada lembra o exemplo de boas administrações
conduzidas por mulheres, como o governo da presidente Dilma

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