Policia

Adolescentes impunes cada vez mais ousados

Um dos adolescentes é acusado de matar pai e filho e alega ter defendido a honra da família

 

FABRICIANO – “Dos tiros que dei, dois acertaram a cabeça do cara”. Esta é a frase de um adolescente de 15 anos que confessou ter matado a tiros Adão Ribeiro, de 47 anos, no bairro Caladão esta semana. A prepotência do menor chamou a atenção de todos que estavam na Cia da Polícia Militar em Coronel Fabriciano, depois de sua apreensão na última quinta-feira (12).
O menino ainda chegou a ameaçar um PM: “Nós ainda vamos acertar nossas contas”, disse. O adolescente é acusado de cometer outro assassinato em agosto do ano passado, do filho de Adão.
Segundo conta, ele cometeu o crime para defender a honra da mãe. “O cara ficou vendo minha sem roupa pela janela e depois ficou me zuando, e me deu um tapa na cara. Aí matei ele mesmo. Depois “fiz” o pai dele, porque ele ficou me ameaçando. Eu sou o homem da casa, tenho que honrar minha família”, disse o menino, que contou com detalhes como foi o crime. “Já havia tempo que eu estava querendo “fazer” ele, e aquele dia ele “tava” de bobeira no bar bebendo, e eu fui lá sem dó e meti bala nele. Eu e meu colega aqui”, conta.

LIBERADOS

O menor foi apreendido junto com outro adolescente de 17 anos que também confessou a autoria do crime de quarta-feira passada. Para a polícia, o adolescente estaria acobertando um terceiro, conhecido pelo apelido de “Calhambeque”, de 18 anos, que negou qualquer participação no delito.
Nos locais onde os menores foram apreendidos, a polícia encontrou os dois revólveres calibre 38 usados no crime, quase meio quilo de maconha, um vidro de lubrificante, três celulares e R$ 23 em dinheiro.
Desta ocorrência, segundo a Polícia Militar, apenas um dos menores, o que confessou o crime, foi encaminhado para o Ceresp de Ipatinga.

IMPUNIDADE
Para a polícia, o comportamento do adolescente é típico, já que muitas vezes eles consideram que vão permanecer impunes pelos atos infracionais. A falta de um Centro de Internaçãopara Adolescentes infratores no Vale do Aço reforça ainda mais a ideia de que eles nunca serão punidos pelo delito, passando a assumir na maioria das vezes a culpa de um adulto. “Eles acham que a lei não os alcança. Então acabam sendo prepotentes, falam que são os autores do crime porque acreditam que não vai haver qualquer tipo depunição”, considera o Tenente Flávio.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas para menores em conflitos com a lei, entre elas a internação por um período de até três anos. No caso de regiões que não possuem um CIA, cabe ao Judiciário solicitar em Belo Horizonte uma vaga em outra unidade que comporte os adolescentes.

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