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A avenida é do povo!

(*) Fernando Benedito Jr.

A avenida Manaaim, liberada ao tráfego no final do governo da ex-prefeita Cecília Ferramenta, é um projeto de interesse público construído com recursos públicos e já devida e necessariamente apropriada pela população da cidade. Não é uma obra da Cecília, do Robson Gomes, do Sebastião Quintão ou de quem quer que seja. Méritos a quem mereça, a Quintão, a Chico Ferramenta, aos vereadores pelo nome horrível e sem pé nem cabeça, a obra só chegou ao atual estágio graças aos esforços do governo da ex-prefeita, foi fiscalizada pelos técnicos do BNDES (instituição que destinou os recursos) e aprovada sem ressalvas. Houveram problemas provocados pelas chuvas durante o final do ano passado e início de 2017. Problemas que o atual governo, como se apostando no quanto pior, melhor, demora a corrigir (os contratos para continuar com a obra estavam em andamento) e os deslizamentos causados pelas chuvas, diga-se de passagem, ocorreriam nos governos do PT, PSDB, PMDB, dos comunistas, porque a chuva não escolhe coloração partidária para derrubar barranco.
Mas na verdade, o que se tem é uma ação política para a qual a administração de Ipatinga tenta dar uma roupagem técnica. Apontam defeitos na obra para justificar seu fechamento e sua posterior reabertura, com a devida pompa e circunstância pelo atual prefeito. Tipo uma usurpaçãozinha de nada, um “fui eu que fiz”, numa destas atitudes de pouco brilho e nenhuma dignidade.
Desde a campanha eleitoral, Quintão dizia que iria inaugurar a Avenida Manaaim. Faça bom proveito, pode inaugurar, reinaugurar, tri-inaugurar, embora não pareça que seja uma obra na qual o atual governo ainda tenha batido um prego. Apenas segue fazendo o que estava sendo feito. Quando se abriu a avenida ao trânsito não se disse que a obra estava concluída, tanto que as máquinas e homens continuaram e continuam seu trabalho. É só uma tentativa de se apropriar de obra alheia. Coisa comum em política.
O prefeito deveria a esta altura do campeonato, sabedor que era (pelo menos deveria saber), da situação financeira da Prefeitura mostrar a que veio, colocar em prática as promessas de campanha que agora diz não ter feito e, entre outras coisas, reabrir o restaurante popular (que o governo anterior reformou), entregar os remédios em casa para tirar o pessoal da porta da unidade de saúde, pagar a complementação da aposentadoria, melhorar o atendimento na área de saúde aproveitando a ampliação do Hospital Municipal, concluir a construção de unidades de saúde e creches, enfim, fazer o que a prefeita não fez e que ele afirmou que faria se fosse eleito.
Desde que tomou posse, além de “caçar” erros do governo anterior, já devidamente apontados durante a campanha eleitoral, o atual governo se rigozija apenas de pagar o funcionalismo público. Só falta soltar foguetes para celebrar mensalmente este grande feito, como se governar um município fosse pagar os trabalhadores públicos. É isso também. Mas já está na hora de encerrar o comício, descer do palanque e mostrar a criatividade, para que se tenha uma marca própria, uma grande obra, um grande feito, uma bela iniciativa, que se possa chamar de sua, porque nascida do seio desta administração que tem um quê de Donald Trump de chapéu, e um pouco de factóides “dóricos”. Portanto, ainda sem uma identidade própria, excetuando-se o chapéu – que não significa muita coisa.
O primeiro governo de Quintão também foi marcado pela tentativa de desconstruir o passado. Abriu-se uma verdadeira caça às bruxas contra o ex-prefeito Chico Ferramenta, perseguiu-se a militância marxista-leninista-guevarista-bolivariana, instalou-se uma CPI para apurar problemas no governo de Chico, pintou-se de verde viadutos e outros equipamentos públicos para apagar da memória popular o vermelho proto-petista-comunista destes moscovitas petralhas. O resultado foi um governo pífio, cujo legado ainda está por ser descoberto. Portanto, companheirada, mãos à obra enquanto é cedo.
Mostrem do que são capazes, mostrem de que matéria é feito um governo ousado, competente, exemplar.
Ah, e deixem a avenida aberta, por favor, tem muita gente passando por lá.

(*) Fernando Benedito Jr. é editor do Diário Popular.

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